A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Salvador realizou nesta terça-feira (21) o seminário “Julho das Mulheres Negras – Mulheres Negras em Movimento”. O evento reuniu mais de 200 profissionais da rede municipal de saúde, pesquisadores, representantes da sociedade civil e lideranças do movimento negro. O foco foi fortalecer as políticas públicas de saúde voltadas à população negra e promover o debate sobre equidade racial e cuidado integral.
Promovido pela Diretoria de Atenção Primária à Saúde (DAPS) da SMS, o seminário abordou temas como mortalidade materna, racismo obstétrico, justiça reprodutiva e a qualificação das redes de atenção. O objetivo, segundo a pasta, é garantir um cuidado integral, seguro e antirracista para as mulheres negras. O encontro também promoveu uma roda de conversa sobre o fortalecimento das redes de cuidado, além de vivência ancestral, apresentações culturais e uma Feira de Afroempreendedoras.
Quem paga a conta é o morador — e, nesse caso, a conta é alta. Dados do Ministério da Saúde mostram que a mortalidade materna entre mulheres negras é desproporcionalmente maior. “O Julho das Mulheres Negras é um mês de celebrar a trajetória de luta e de construção das mulheres negras, mas também de pensar com ainda mais cuidado na saúde dessas mulheres”, afirma Joana Carvalho, técnica do Campo Temático Saúde da População Negra da SMS. “Debatemos como a mortalidade materna afeta de forma mais intensa as mulheres negras e quais estratégias podemos fortalecer no SUS para enfrentar essas iniquidades raciais.”
Evento integra programação do Julho das Mulheres Negras
O seminário faz parte da programação do Julho das Mulheres Negras, mês dedicado à valorização das trajetórias, resistência e contribuições das mulheres negras para a sociedade. As ações culminam no dia 25 de julho, data em que são celebrados o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.
A realização do evento reforça a estratégia da SMS de incorporar a equidade racial como um eixo transversal das políticas públicas de saúde. Na prática, isso significa fortalecer práticas que considerem as especificidades da população negra no atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). A Subcoordenação de Cuidados Transversais, a Chefia de Equidade e o Campo Temático Saúde da População Negra foram os responsáveis pela organização do seminário.
O fato é que o racismo obstétrico ainda é uma realidade no Brasil. Mulheres negras enfrentam maior taxa de mortalidade materna e piores indicadores de saúde. O seminário da SMS botou o dedo na ferida ao colocar esses temas no centro do debate público. A Feira de Afroempreendedoras, por sua vez, trouxe um olhar econômico e cultural para o evento, conectando saúde, empreendedorismo e ancestralidade.
Resultado: a iniciativa da SMS Salvador não apenas promoveu o diálogo, mas também sinalizou um caminho concreto para a redução das desigualdades raciais na saúde. A expectativa é que as discussões e propostas apresentadas no seminário se transformem em ações práticas nas unidades de saúde da capital baiana.