A 8ª edição do Festival de Acarajé será realizada neste sábado (25), na Praça da Cruz Caída, em Salvador, como parte da programação do Circuito Mulheres Negras em Movimento. O evento é organizado pela Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares (Abam), com apoio da Prefeitura de Salvador, e celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.
O festival ocorre das 14h às 20h e oferece distribuição gratuita de acarajé em quatro tabuleiros. A programação inclui apresentações musicais de voz e violão, samba e da banda D’Papo, além de uma roda de conversa intitulada “Mulher, Azeite e Flor”, que reunirá empreendedoras negras, baianas de acarajé e o público para discutir empreendedorismo, violência contra a mulher e racismo. A expectativa é de que 30 baianas participem do evento, mesmo número da edição anterior.
Para a vice-prefeita Ana Paula Matos, a realização do festival dentro do circuito fortalece a culinária ancestral e a força das mulheres negras. “O acarajé é muito mais que um alimento. Ele carrega ancestralidade, fé, resistência, empreendedorismo e a história de gerações que ajudaram a formar uma das capitais mais negras fora da África. Salvador tem o compromisso de valorizar essa herança e de transformar esse reconhecimento em políticas públicas, oportunidades e espaços de protagonismo para quem mantém viva a nossa cultura todos os dias”, afirma.
A presidente da Abam, Rita Santos, destaca que o Festival de Acarajé de Salvador é o único do país a oferecer distribuição gratuita da iguaria. “Este ano, na mesma data, estão sendo realizados festivais em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas o único que conta com a distribuição gratuita do acarajé é o nosso. A praça fica cheia. Salvador tem que agradecer a essas mulheres empreendedoras por estar onde está. No entanto, sempre há aquele período em que precisamos afirmar e reafirmar a nossa identidade, e um desses momentos é o mês de julho. É uma maneira de mostrar a nossa resistência, afirmando que estamos aqui e viemos para ficar. É uma data que dá visibilidade às baianas de acarajé”, afirma.
O ofício das baianas de acarajé é reconhecido desde 2005 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Bem Cultural Imaterial do Brasil.
O Circuito Mulheres Negras em Movimento é promovido pela Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), no âmbito do programa Salvador Capital Afro. Em sua segunda edição, o circuito reúne programação gratuita iniciada no dia 16 e que segue até 1º de agosto, com apresentações artísticas, rodas de conversa, oficinas, ações de empreendedorismo, saúde, bem-estar e proteção social. A programação completa está disponível no perfil da Secult no Instagram: @secultsalvador.
O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, foi criado em 1992 durante o 1º Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas, em Santo Domingo, na República Dominicana. No Brasil, a mesma data marca o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, instituído pela Lei nº 12.987/2014.