O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou uma operação de R$ 86 milhões para a CYG Biotech, empresa do Grupo Blanver, ampliar sua capacidade de produção de insumos farmacêuticos ativos (IFA), as matérias-primas utilizadas na fabricação de medicamentos. A medida busca reduzir a dependência da indústria farmacêutica brasileira da importação desses insumos.
Os recursos, provenientes do programa BNDES Mais Inovação, serão destinados à implantação de uma nova unidade produtiva em Indaiatuba (SP). Do montante total, metade deverá ser usada para a compra de bens de capital produzidos no Brasil.
Expansão e impacto na produção
O projeto prevê a construção de um novo complexo produtivo com área construída total de 10 mil m², incluindo duas edificações para a instalação de três unidades especializadas de produção de IFA. A expectativa é que as obras sejam concluídas em 24 meses, com a planta inteiramente operacional em agosto de 2028.
Com a ampliação, a empresa deverá produzir insumos para o tratamento de diversas doenças, entre elas câncer, HIV, hepatite B, hepatite C, artrite, reumatismo, depressão, transtorno bipolar, doenças inflamatórias crônicas, hipertensão, derrame e doença arterial periférica (DAP). Apenas uma das novas unidades deve aumentar a capacidade de produção em mais de 120%.
A iniciativa também terá reflexo na geração de empregos. A estimativa é que sejam criados 100 postos de trabalho diretos, um crescimento de 80%, e outros 100 indiretos.
Parcerias e acesso a medicamentos
Cinco dos insumos que serão produzidos fazem parte de projetos de parcerias para o desenvolvimento produtivo (PDP) da Blanver com o Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe) e o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos). Por meio da associação entre setor público e privado, a população terá acesso a medicamentos e produtos para saúde considerados estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS).
O investimento integra a estratégia do Grupo Blanver de produzir, por meio da CYG Biotech, os IFAs necessários para a fabricação de seus próprios medicamentos. A empresa, adquirida em 2015 pela Blanver, já produz internamente parte dos IFAs usados no portfólio do grupo, apostando na autonomia como diferencial competitivo.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou a importância do apoio à indústria farmacêutica nacional. “O apoio à indústria farmacêutica nacional contribui para a soberania do país na saúde. Com a produção de insumos nacionais, o SUS fica protegido das variações cambiais e o país tem mais autonomia na produção de medicamentos”, observou.
O CEO da Blanver, Sérgio Frangioni, afirmou que a ampliação da fábrica de IFAs garante mais autonomia produtiva. “Essa é uma etapa essencial do nosso ciclo de crescimento, que prevê diversificação de portfólio, aumento de capacidade produtiva e modernização do complexo fabril”, disse.
Esta não é a primeira operação recente do BNDES com o grupo. Recentemente, o banco aprovou R$ 115 milhões, no âmbito do Plano Brasil Soberano, para a empresa modernizar e ampliar a capacidade produtiva de medicamentos sólidos na unidade industrial de Taboão da Serra (SP).