A decisão do governo federal de zerar o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como taxa das blusinhas, corrige distorções de uma política que não cumpriu seus objetivos. A avaliação é da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa plataformas como Amazon, Shein, Shopee e Uber.
Em vigor desde agosto de 2024, a alíquota de 20% sobre compras online de pequeno valor foi revogada na terça-feira (12). Para a entidade, o resultado prático foi aumento de preços ao consumidor no varejo nacional, sem a contrapartida prometida em geração de emprego e renda, algo que contrasta com o programa de R$ 11 bilhões contra crime organizado é lançado por Lula.
O que diz a Amobitec sobre a taxa das blusinhas
O diretor-executivo da Amobitec, André Porto, afirmou à Agência Brasil que a justificativa original da medida era estimular a indústria nacional. “O que vimos foi aumento de preços e lucros, sem contrapartida. Estudos comprovaram que não houve geração de emprego nem aumento de renda nos setores beneficiados”, declarou.
A análise se baseia em estudos da consultoria Global Intelligence Analytics, encomendados pela própria Amobitec. Os dados, coletados de fontes oficiais como Receita Federal e PNAD entre 2018 e 2025, indicam que os ganhos foram absorvidos pelas empresas do varejo via reajustes acima da inflação. Resultado: quem paga a conta é o morador, especialmente das classes mais baixas.
Impacto no consumo e desigualdade
Para a Amobitec, a taxa reduziu a demanda por produtos importados de menor valor, afetando diretamente o poder de compra da população de menor renda. André Porto destacou a contradição: enquanto consumidores de maior renda têm isenção de até US$ 1 mil em viagens internacionais, os mais pobres dependem das compras online. “A medida justifica isenção para quem não pode viajar ao exterior”, argumentou.
Oposição de entidades do setor produtivo
A revogação, no entanto, divide opiniões. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) manifestaram preocupação. Para elas, a medida favorece empresas estrangeiras na concorrência com o setor produtivo nacional, criando desigualdade tributária.
Na prática, as empresas brasileiras ficariam sujeitas a tributações mais altas enquanto as plataformas internacionais operam com carga menor. O fato é que o governo voltou atrás em uma promessa que ficou no papel — a de que a taxação protegeria empregos, enquanto 18 milhões de famílias recebem auxílio do governo federal em 2025, aponta.
Com a retirada do tributo, a Amobitec espera ampliação do acesso ao consumo. André Porto resume: “Estamos retornando a um status do qual não deveríamos ter saído”.
A decisão de revogar a tributação sobre compras internacionais de pequeno valor corrige distorções de uma política que não cumpriu seus objetivos, em meio a discussões como o projeto de Lula acaba com escala 6×1 e reduz jornada para 40.