Em resumo
  • Prefeitura de Salvador conclui instalação de boias que criam área de 90 metros exclusiva para banhistas no Porto da Barra.
  • Projeto-piloto aprovado pela Marinha custou R$ 450 mil e impede circulação de embarcações motorizadas na faixa protegida.
  • Medida ocorre após acidentes com motos aquáticas; praia conta com videomonitoramento integrado entre GCM e Capitania dos Portos.
Praia Barra
Fotos: Igor Santos / Secom PMS

A Prefeitura de Salvador concluiu a instalação de boias de proteção que delimitam uma área exclusiva para banhistas no Porto da Barra. O balizamento, feito com boias amarelas afixadas em cinco poitas, cria um perímetro de 90 metros a partir da faixa de areia, onde a circulação de embarcações motorizadas fica proibida.

O projeto-piloto, aprovado pela Marinha do Brasil, está sendo executado pela Secretaria Especial do Mar (Semar), por meio da empresa contratada para o serviço. O investimento total foi de R$ 450 mil, incluindo aquisição do material, transporte, instalação das poitas e das boias e a sinalização no local.

Como funciona a nova delimitação

A área protegida impede a aproximação de embarcações motorizadas da faixa de areia, mas não bloqueia o acesso ao mar para outros usos. Um trecho específico ficou livre para a circulação de pequenas embarcações, canoas e praticantes de esportes náuticos. O espaço sem boias foi calculado para garantir acesso seguro, considerando a existência de pedras e corrente próximo à rampa.

Segundo a titular da Semar, Duda Lomanto, a zona de escape também atende a demandas específicas de quem usa a praia. “É necessário ter uma zona de escape para atender às pessoas da canoa havaiana, aos caiaques, e ao grupo da natação, pois a travessia Salvador-Itaparica parte dali”, explicou.

A gestora comparou a iniciativa a padrões adotados em outras praias do mundo. “As praias mais belas do mundo contam com esse tipo de proteção para os banhistas, a exemplo de Sant Pol e da Praia de Areas, ambas na Espanha, e da Plage du Petit Nice, na França”, afirmou. No Brasil, a Praia dos Amores, na Barra da Tijuca, tem delimitação semelhante, assim como a Praia de Ponta de Nossa Senhora e Loreto, na Bahia.

Medida responde a acidentes com motos aquáticas

A instalação das boias ocorre após uma série de acidentes em praias de Salvador envolvendo motos aquáticas. Em dezembro do ano passado, um empresário morreu e uma mulher ficou gravemente ferida depois que a moto aquática em que estavam bateu em um barco de pesca parado na orla da Ribeira. Em agosto do mesmo ano, uma banhista foi atropelada por uma moto aquática em alta velocidade na praia da Boa Viagem; o condutor deixou o local sem prestar socorro. A Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos da Bahia, conduziu diligências para identificar o condutor e aplicar sanções.

No Porto da Barra, frequentadores também já relataram situações de risco. O inspetor-geral da Guarda Civil Municipal, Marcelo Silva, observou que, principalmente nos finais de semana, embarcações chegam muito próximas da areia. “As crianças ficam tendo acesso e pulando delas, em uma situação de risco de acidente e afogamento. Tudo isso será evitado com essa restrição”, afirmou.

Monitoramento por câmeras e ação integrada

A segurança no local não depende apenas das boias. O Porto da Barra foi a primeira praia de Salvador a contar com um sistema de videomonitoramento integrado entre a Guarda Civil Municipal (GCM) e a Capitania dos Portos, já em pleno funcionamento. As câmeras de alta resolução cobrem todo o espelho d’água e funcionam como um radar inteligente: se uma moto aquática invadir o perímetro dos banhistas, a infração será gravada em tempo real. As imagens captadas no Centro de Comando de Operações (CCO) serão compartilhadas com a Capitania dos Portos.

A ação envolve diversos órgãos municipais, como a Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador), a Guarda Civil Municipal (GCM), a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (Semit) e a Secretaria Municipal de Manutenção (Seman). Marcelo Silva destacou o trabalho de orientação feito com banhistas e comerciantes, já que parte da instalação precisou ser feita na faixa de areia.

A delimitação da área foi calculada em parceria com a Marinha do Brasil. “A Marinha ajudou no cálculo, como também ajudou no cálculo e na instalação na Ilha dos Frades. Após o limite das pedras, passa uma corrente, e nós respeitamos essa área para evitar uma movimentação perigosa das boias”, explicou o inspetor-geral. Ele acrescentou que não seria possível fechar todo o porto, pois há uma colônia de pescadores que precisa de acesso ao mar pela rampa. A cor amarela das boias segue padronização internacional.

Marcelo Silva fez um apelo para que embarcações respeitem a área restrita e para que banhistas não se pendurem nas boias, evitando acidentes.

Requalificação das rampas de acesso

Em ação complementar, a Semar, em parceria com a Seman, realizou a requalificação e o ordenamento das rampas de acesso à praia do Porto da Barra. Uma delas foi reservada para embarcações e a outra para pedestres. O trecho em frente à rampa de embarcações, próximo ao Forte de Santa Maria, ficou livre das boias, permitindo o acesso organizado de canoas e esportistas sem comprometer a segurança dos banhistas. O local também receberá placas de sinalização com orientações aos frequentadores.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.