O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (4) que o novo Desenrola Brasil pretende ajudar a população a “tirar a corda do pescoço” e recuperar o acesso ao crédito. Durante a cerimônia de lançamento do programa, em Brasília, Lula ponderou que dívidas só trazem benefícios quando feitas de forma responsável e compatível com a renda de cada pessoa.
A iniciativa é voltada para quem ganha até cinco salários mínimos, atualmente R$ 8.105. Será possível negociar débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. “As pessoas não deveriam gastar mais do que podem pagar”, disse o presidente. “Pode ser bom se endividar para comprar algo para casa, trocar de carro, um terno novo ou um brinquedo para o filho. Mas é importante fazer dívidas sem perder de vista a condição de pagamento.”
Nome limpo na praça
Segundo Lula, o governo quer permitir que as pessoas “respirem com mais tranquilidade” ao voltar a ter o nome limpo. “Não é correto a pessoa estar com o nome sujo no Serasa por causa de uma dívida de R$ 100 ou R$ 200. Isso não tem lógica”, criticou. Ele acrescentou que o mercado transforma esse cidadão em “clandestino”, impedindo compras a crédito e até contas bancárias.
O presidente alertou que essa exclusão do sistema financeiro formal empurra o cidadão para a ilegalidade. “Ou seja, ele vira um freguês da bandidagem, da agiotagem, pagando um juro ainda mais escorchante”, afirmou. Traduzindo: quem perde o acesso ao crédito formal acaba recorrendo a agiotas, com taxas abusivas.
Fundo garantidor e restrição a bets
Lula explicou que um fundo garantidor ajudará nas negociações das dívidas com instituições financeiras. Só que, para isso, a população endividada não poderá fazer apostas online pelo prazo de um ano. “A pessoa não pode continuar jogando em bets. Estamos proibindo que, durante um ano, as pessoas gastem seus recursos com jogos”, disse o presidente.
Na prática, a medida tenta evitar que o dinheiro do programa seja desviado para jogos de azar. O fato é que a dívida de pequeno valor, como R$ 100 ou R$ 200, acaba excluindo o cidadão do sistema financeiro. Resultado: quem paga a conta é o morador, que fica sem crédito e sem acesso a serviços básicos.
O Desenrola Brasil, portanto, promete aliviar a situação de milhões de brasileiros endividados. A ficha caiu tarde para muitos que já perderam o nome limpo. Agora, a aposta do governo é que a renegociação ajude a população a respirar — sem a corda no pescoço.