A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (1º) um reajuste médio de 18% no preço do querosene de aviação (QAV). O aumento representa um acréscimo de R$ 1 por litro em relação ao mês anterior. Os compradores poderão parcelar o valor em seis vezes, com a primeira parcela vencendo em julho de 2026.
O QAV é o combustível que abastece aviões e helicópteros. Ele responde por quase metade dos custos operacionais das companhias aéreas. O preço é estipulado pela Petrobras mensalmente, sempre no dia 1º. O reajuste acontece em meio à guerra no Irã, que começou em 28 de fevereiro e elevou o preço internacional do barril de petróleo. O pacote federal contra alta dos combustíveis tem subsídios e pena de prisão para tentar conter os efeitos.
De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), antes do reajuste de maio o combustível já respondia por 45% dos custos operacionais das empresas do setor. A guerra no Irã, com ataques dos Estados Unidos e de Israel, elevou o barril tipo Brent para perto de US$ 120, alta de mais de 70% em relação aos US$ 70 registrados antes do conflito.
Parcelamento do reajuste do QAV
Assim como no mês passado — quando houve reajuste de 55% — a Petrobras permitirá que as distribuidoras de aviação comercial parcelem parte do aumento em seis vezes. A primeira parcela será paga em julho de 2026. Em comunicado, a estatal afirma que a medida visa preservar a demanda e diminuir os efeitos do reajuste no setor aéreo brasileiro.
“Dentro de um contexto excepcional causado por questões geopolíticas, a Petrobras oferece uma alternativa que contribui para a saúde financeira de seus clientes ao mesmo tempo em que preserva a neutralidade financeira para a companhia”, diz a nota da empresa. A opção de parcelamento vale apenas para as distribuidoras que atendem à aviação comercial.
Impacto da guerra no Irã sobre o petróleo
A guerra no Irã foi desencadeada em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel ao país. A região concentra grandes produtores de petróleo e rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial. Uma das retaliações do Irã tem sido o bloqueio do estreito, prejudicando a logística da produção de óleo cru.
Resultado: o preço do barril tipo Brent saltou de cerca de US$ 70 antes da guerra para perto de US$ 120 nos últimos dias. Esse encarecimento de mais de 70% pressiona os custos de refino e, consequentemente, o preço do QAV no Brasil.
Formação de preços e ajuda do governo
A Petrobras esclareceu que o preço do QAV é calculado por uma fórmula vigente há mais de 20 anos. Ela permite equilibrar os mercados nacional e internacional, “atuando como um amortecedor de curto prazo, resultando em um reajuste inferior àqueles já praticados nos mercados internacionais”. A estatal tem cerca de 85% da produção do QAV no país, mas o mercado é aberto à concorrência.
Para tentar frear o impacto nos preços das passagens, o governo federal zerou, no dia 8 de abril, as alíquotas dos tributos federais PIS e Cofins que incidem sobre o QAV. A isenção vale até 31 de maio. Outras medidas incluem:
- Adiamento do pagamento de tarifas de navegação aérea devidas à Força Aérea;
- R$ 9 bilhões em crédito para companhias aéreas, operados pelo BNDES e pelo Fundo Nacional de Aviação Civil.
Na prática, quem paga a conta é o passageiro. O QAV representa quase metade dos custos das aéreas. A guerra no Irã já encareceu o petróleo em mais de 70%, e o bolso do consumidor sente o reflexo nos preços das passagens. O mercado eleva previsão da inflação para 4,36% em 2026 após 4 altas seguidas, o que agrava o cenário econômico.