Estudantes matriculados na Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede municipal de ensino de Salvador passarão a receber, a partir de setembro, uma bolsa mensal de R$ 100. O benefício, batizado de Bolsa Presença, foi anunciado nesta terça-feira (25) pelo prefeito Bruno Reis durante evento no Centro de Formação Emília Ferreiro, no bairro do Costa Azul.
De acordo com a Prefeitura, a iniciativa vai beneficiar 10 mil estudantes, com investimento mensal de R$ 1 milhão, o que representa R$ 12 milhões por ano. O objetivo declarado é estimular a frequência e a permanência dos alunos na escola e contribuir para a redução da evasão escolar.
Quem pode receber e quais são as condições
O pagamento de R$ 100 mensais será destinado aos alunos que atenderem aos critérios do programa. Entre as condições estabelecidas estão:
- Estar regularmente matriculado na rede municipal de ensino;
- Manter os dados cadastrais atualizados;
- Ter frequência mínima de 75% do período letivo em cada mês.
A política será regulamentada por ato do Poder Executivo, que definirá os procedimentos de pagamento, acompanhamento e controle do benefício.
Justificativa da gestão municipal
Segundo o prefeito Bruno Reis, a Bolsa Presença integra as ações da gestão para fortalecer a EJA, modalidade voltada a pessoas que não concluíram os estudos na idade regular, que estavam afastadas da sala de aula ou que precisam conciliar os estudos com o trabalho e responsabilidades familiares.
“Sabemos que muitos pais e mães de família, pessoas que já estão com idade avançada, naturalmente, para poder estudar, precisam deixar de trabalhar em determinado turno ou horário. Agora, eles vão receber essa bolsa”, explicou Bruno.
O gestor também citou a implantação da EJA profissionalizante na rede municipal, que associa a conclusão da escolarização à formação para o mundo do trabalho.
Perfil dos estudantes e impacto nas escolas
O perfil dos estudantes atendidos pela EJA mudou nos últimos anos. Na Escola Municipal Alfredo Amorim, no Largo do Papagaio, cerca de 60% dos alunos têm entre 18 e 25 anos, segundo a vice-diretora Aline Ribeiro Oliveira. A unidade possui quase 200 estudantes matriculados na modalidade, que funciona no período noturno.
A gestora, que trabalha com a EJA há mais de 20 anos, avalia que o incentivo financeiro pode ajudar estudantes que precisam conciliar a escola com o trabalho. Para o secretário Thiago Dantas, a criação da Bolsa Presença atende a uma demanda apresentada por educadores e pela comunidade escolar.
História de quem voltou a estudar
Entre os estudantes da EJA está Genivalda Bispo dos Santos, de 83 anos, que voltou a estudar há cerca de três anos. Matriculada no Colégio Municipal Alfredo Amorim, ela conta que decidiu retomar os estudos depois de ajudar a formar os filhos e netos.
“Eu lutei muito para formar meus filhos e meus netos. Depois de todo mundo formado, pensei: ‘Eu também tenho que estudar para poder me expressar nos lugares que eles vão me levar’. Eu fiz muitas amizades, conheci pessoas que eu não conhecia. Tem aniversário, tem passeio, é uma beleza”, afirmou.