Em resumo
  • O projeto Bienal nas Escolas leva autores da literatura para estudantes da rede municipal de Salvador.
  • O segundo encontro será nesta quarta-feira (26), às 10h, no Colégio Estadual Clarice Santiago dos Santos, no Arenoso.
  • O primeiro encontro ocorreu na terça-feira (25), na Escola Municipal Mourão Sá, em Paripe, com a escritora Regina Luz.
Bienal nas Escolas leva autores a estudantes da rede municipal de Salvador
Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS

O segundo encontro do projeto Bienal nas Escolas será realizado nesta quarta-feira (26), às 10h, no Colégio Estadual Clarice Santiago dos Santos, no bairro do Arenoso. A atividade terá a participação do escritor baiano Marcos Cajé.

O projeto é promovido pela Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal da Educação (Smed) e da Coordenadoria de Educação para as Relações Étnico-Raciais e Diversidade (Cerd). A iniciativa leva autores da literatura para dentro das escolas da rede municipal e ocorre após a edição 2026 da Bienal do Livro Bahia.

O primeiro encontro aconteceu nesta terça-feira (25), às 14h, na Escola Municipal Mourão Sá, em Paripe, com a participação da escritora, professora e arte-educadora Regina Luz. Autora de obras infantis com temáticas ligadas à ancestralidade, identidade e protagonismo negro, Regina conversou com as crianças sobre o livro “Meu Sonho, Cor do Luar”. A abertura da atividade contou ainda com mediação e contação de histórias conduzidas pelo ator e arte-educador Raí Santana.

Objetivo do projeto

Segundo Cintia Azevedo, integrante da equipe da Cerd, a presença dos escritores nas escolas proporciona uma experiência que vai além da leitura das obras. “A importância é realmente o contato com o autor. Eles pegam o livro, leem, veem as imagens e o texto, mas muitas vezes nunca tiveram a oportunidade de interagir diretamente com quem escreveu”, destacou.

Cintia também afirmou que a iniciativa contribui para democratizar o acesso à literatura, principalmente entre estudantes que nem sempre têm contato com livros fora do ambiente escolar. “Às vezes, os pais não são leitores, então o acesso fica mais difícil, eles vão pouco às livrarias e, por isso, em todos esses eventos literários, a gente tenta trazer o máximo possível para os estudantes”, disse.

Estrutura e legado

A Bienal do Livro Bahia é realizada a cada dois anos em Salvador. De acordo com Guilherme Pecly, gerente da Bienal do Livro Bahia, o projeto foi estruturado para trabalhar com os alunos antes, durante e depois do encontro com os escritores. “Primeiro, enviamos os livros para que os alunos possam trabalhar pedagogicamente, fazer leituras coletivas e conhecer as histórias. Depois, levamos a autora que foi trabalhada previamente para que as crianças tenham a oportunidade de conhecê-la”, explicou.

Pecly destacou que o projeto deixa um legado para as escolas participantes. “Depois da visita, ainda deixamos um legado para a escola, que são os livros doados para o equipamento público e para as bibliotecas, permitindo que os alunos continuem tendo acesso às obras”, pontuou. A escolha de realizar as atividades diretamente nas unidades de ensino também facilita a participação de estudantes que enfrentam dificuldades de deslocamento até os locais onde a Bienal é realizada.

Impacto nas escolas

Para o diretor da Escola Municipal Mourão Sá, Lucas Antônio Oliveira, a aproximação da literatura com o cotidiano dos alunos torna a experiência mais significativa. “A Bienal do Livro, em si, é um evento ao qual os alunos não têm muito acesso. Quando essa experiência acontece dentro de um ambiente em que eles se sentem mais à vontade, como a escola, a experiência fica ainda melhor”, afirmou. O diretor acrescentou que o contato com a literatura também contribui para o desenvolvimento educacional dos estudantes.

Durante o encontro, Regina Luz apresentou “Meu Sonho, Cor do Luar” e compartilhou com os estudantes detalhes sobre seu processo criativo e sua trajetória na literatura. Graduada em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e idealizadora do projeto Curso Luz de Redação, a escritora contou que sua relação com os livros começou ainda na infância. “Eu fui uma criança que gostava muito de livros, mas não tinha livros. Quando aprendi a ler, me apaixonei pela palavra e, principalmente, pela narrativa. Meu primeiro livro foi publicado quando eu tinha 18 anos”, relatou.

Regina possui quatro livros de literatura para a infância e três obras de poesia destinadas ao público jovem e adulto. Para ela, levar a literatura para o ambiente escolar é uma maneira de mostrar às crianças que a leitura pode ser uma experiência prazerosa. “Quando a nossa obra chega à escola e os alunos percebem que a leitura pode ser um processo mágico, isso é muito importante”, destacou.

Entre os estudantes, a iniciativa despertou novos interesses. Gustavo Barbosa, de 11 anos, aluno do 6º ano, contou que ficou motivado ao conhecer a escritora e revelou o desejo de publicar o próprio livro. “Vendo uma pessoa que um dia pode ter pensado que queria expressar os sentimentos dela e perceber que eu também posso seguir esse caminho é muito bom”, contou.

Próximos passos

Segundo Guilherme Pecly, esta edição marca a retomada do projeto após um período sem atividades nas escolas. Inicialmente, a programação contempla as unidades de Paripe e do Arenoso, mas a expectativa é ampliar o número de participantes nas próximas edições. “Este ano são essas duas escolas, mas queremos aumentar no ano que vem e, quem sabe, chegar a 20 escolas. Esse é o nosso objetivo”, afirmou.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.