Professores e coordenadores pedagógicos da rede municipal de ensino de Salvador participam, na próxima terça-feira (18), de uma formação sobre Samba Junino. O encontro começa às 8h30, no Auditório 1 da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no bairro da Federação.
A iniciativa é da Prefeitura de Salvador, em parceria com a Jequitibá Assessoria, e integra as celebrações do Dia Nacional do Patrimônio Histórico e Cultural. A expectativa é que cerca de 100 professores participem, além de coordenadores pedagógicos e representantes da Secretaria Municipal da Educação (Smed), da Fundação Gregório de Mattos (FGM) e da Faculdade de Arquitetura da UFBA.
A formação foi pensada para estimular o debate sobre educação patrimonial e relações étnico-raciais a partir do samba junino, manifestação cultural de origem soteropolitana. A ideia é usar a tradição como ponto de partida para conversas sobre memória, identidade e território dentro da sala de aula.
Programação do encontro
A abertura do evento terá apresentação do grupo mirim Meu Sambinha, formado por alunos do projeto Meu Tambor, mantido pelo grupo de samba junino Meu Samba, na localidade do Dique Pequeno, no Engenho Velho de Brotas. Em seguida, o professor Bira conduz uma conversa sobre práticas antirracistas ligadas ao patrimônio cultural. Geógrafo, mestre em Educação de Jovens e Adultos pela UNEB e professor efetivo do Instituto Federal da Bahia (IFBA), Bira atua na formação de professores com foco em relações étnico-raciais, diversidade, cultura e currículo.
Depois, a historiadora e pedagoga Magnair Barbosa, idealizadora do projeto Juntaê, apresenta o samba junino sob a ótica do patrimônio imaterial e discute as possibilidades didático-pedagógicas do material. Magnair é mestra em Cultura e Sociedade pela UFBA e doutoranda em Arquitetura e Urbanismo pela mesma instituição, com pesquisa nas áreas de História da Bahia, patrimônio cultural e festividades. O encontro termina com espaço aberto para perguntas e diálogo.
O que é o Juntaê
O Juntaê é um recurso lúdico-paradidático que retrata o samba junino por meio da ilustração de um festival na Praça dos Artistas, no Engenho Velho de Brotas. O material inclui um quebra-cabeça de 48 peças que destaca elementos do território, como a tradicional casa da família Bafafé, na Rua Manoel Faustino. A representação foi construída com a contribuição das Mestras Jacira Bafafé e Lita Bafafé, referências do samba junino e consultoras do projeto.
Além do jogo físico, o Juntaê tem versão digital acessível, com recursos em Libras e audiodescrição, vídeo animado e a música “Presença Junina”, do grupo Samba Leva Eu. Na fase inicial do projeto, 500 kits foram distribuídos gratuitamente em escolas, bibliotecas públicas e comunitárias, espaços de leitura e grupos de samba junino de Salvador. Agora, a nova etapa amplia o alcance ao atuar diretamente com os educadores, aproximando o jogo das práticas pedagógicas.
Para a gerente de Patrimônio Cultural da FGM, Roberta Ventura, a formação aproxima o Samba Junino do cotidiano escolar. “Quando trabalhamos com o Samba Junino, estamos falando também de memória, identidade, território, ancestralidade e das relações étnico-raciais que atravessam a história da nossa cidade”, afirma. Ela completa que formar educadores para reconhecer esse patrimônio em sala de aula fortalece a educação patrimonial e contribui para uma educação mais antirracista.
O projeto Juntaê de formação sobre o Samba Junino é realizado pela Jequitibá Assessoria, em parceria com a Smed e a Faculdade de Arquitetura da UFBA, por meio do Edital Samba Junino – Ano VIII. Os recursos vêm da Fundação Gregório de Mattos (FGM), da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, da Prefeitura de Salvador e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura.