O Parque Zoobotânico da Bahia (Zoo Bahia), gerido pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), em Salvador, mantém atividades que vão além da visitação pública. A instituição participa de programas de conservação, ações de reprodução e manejo populacional, além de cooperar com outras organizações em iniciativas de proteção de espécies silvestres.
O trabalho ganha peso diante do quadro nacional. Em 2026, a atualização da Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção passou a reconhecer 1.279 espécies da fauna brasileira ameaçadas, conforme dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Desse total, 378 são peixes, 376 invertebrados, 241 aves, 123 répteis, 102 mamíferos e 59 anfíbios.
Entre os fatores que ameaçam a sobrevivência de diversas espécies estão a fragmentação e a destruição de habitats, a poluição, o tráfico ilegal de animais silvestres, os atropelamentos e os conflitos entre a fauna e as atividades humanas. O Brasil enfrenta o desafio de proteger sua expressiva diversidade biológica nesse cenário.
Manejo populacional e cooperação entre instituições
No Zoo Bahia, o manejo dos animais mantidos sob cuidados humanos é acompanhado de planejamento reprodutivo, avaliações sanitárias, acompanhamento técnico e cooperação entre zoológicos e instituições especializadas. O objetivo é contribuir para a manutenção de populações geneticamente saudáveis.
A instituição também participa de projetos de conservação in situ, realizados nos próprios ambientes naturais das espécies, que contam com financiamento, apoio e participação de diferentes instituições.
De acordo com Ana Celly Lima, gestora do Zoo Bahia, a instituição desenvolve ações de manejo populacional há anos. Um dos exemplos é a reprodução de uma harpia (Harpia harpyja). Segundo ela, o Zoo Bahia foi a segunda instituição brasileira a obter êxito no manejo reprodutivo da espécie e na criação de um filhote.
“A iniciativa exemplifica como a cooperação entre instituições pode contribuir para a manutenção de populações de espécies que demandam cuidados especializados”
O filhote de harpia foi posteriormente transferido para outra instituição, como parte de um programa de manejo populacional, com a perspectiva de integrar um futuro pareamento reprodutivo.
Onça-pintada e banco genético no Paraná
Outro caso citado pela gestora é o de uma onça-pintada de pelagem preta, nascida no Parque e criada sob cuidados humanos. Ao atingir a idade adequada, o animal foi encaminhado ao Criadouro Conservacionista Onça Pintada, no Paraná, para uma tentativa de reprodução com uma fêmea.
A proposta era contribuir para um programa de conservação, com a possibilidade de que futuras gerações participassem de iniciativas de soltura. Embora o pareamento não tenha apresentado o resultado esperado, o animal permanece na instituição de destino, onde representa um banco genético.
Transferências recentes: mico-leão e lobos-guará
As ações de manejo populacional também incluem a transferência de animais entre instituições, considerando critérios técnicos e genéticos. Em maio de 2026, uma fêmea de mico-leão-de-cara-dourada foi transferida do Zoo Bahia para o Zoológico Municipal de Curitiba.
A iniciativa integrou um programa de conservação desenvolvido em parceria com o ICMBio e a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB). A transferência foi planejada considerando aspectos genéticos e familiares, com o objetivo de favorecer a diversidade genética da população da espécie mantida sob cuidados humanos.
Avaliações sanitárias, identificação individual e planejamento do transporte estão entre os procedimentos necessários para garantir a segurança e o bem-estar dos animais envolvidos.
Já em junho de 2026, o Zoo Bahia recebeu três lobos-guará provenientes de um criadouro conservacionista de Minas Gerais. A chegada dos animais está relacionada ao Programa de Manejo Populacional da espécie, que reúne instituições em uma estratégia coordenada de conservação.
Reintrodução na natureza exige preparação técnica
A gestora destaca ainda que animais nascidos em zoológicos podem, futuramente, integrar programas de reintrodução na natureza, desde que atendam aos critérios técnicos necessários. Para isso, é necessário um processo de preparação que inclui reabilitação, enriquecimento e treinamento.
“É preciso desenvolver um trabalho de reabilitação, enriquecimento e treinamento, preparando os indivíduos para os desafios da vida na natureza”
Segundo o material divulgado, os zoológicos desempenham papel importante na conservação da fauna, na pesquisa científica, no manejo animal e na educação ambiental, indo além da função de receber visitantes e aproximar a população de diferentes espécies.