Em resumo
  • A segunda etapa da requalificação do Parque Metropolitano do Abaeté, em Salvador, prevê a reconstrução do mirante panorâmico, a requalificação da praça principal e a revitalização de duas quadras de vôlei de areia.
  • O investimento é de mais de R$ 4,5 milhões, proveniente do FERFA, e as obras já iniciadas têm previsão de conclusão até dezembro de 2027.
  • O projeto inclui ainda melhorias em acessibilidade, drenagem e iluminação e a conclusão do cercamento do parque, com gradil metálico em aproximadamente 815 metros.
Lago do Abaeté
Foto: Matheus Lemos -Ascom/Inema

A segunda etapa da requalificação urbanística do Parque Metropolitano do Abaeté, em Salvador, prevê a reconstrução integral do mirante panorâmico, a requalificação da praça principal e a revitalização de duas quadras de vôlei de areia já existentes. As obras já foram iniciadas e têm previsão de conclusão até dezembro de 2027.

O investimento é de mais de R$ 4,5 milhões, proveniente do Fundo Estadual de Recursos para o Meio Ambiente (FERFA), dentro de projeto do Governo da Bahia. A execução física ficará sob responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), enquanto a Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) participa por meio da gestão dos recursos ambientais e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), pela coordenação da Área de Proteção Ambiental (APA), fará o acompanhamento técnico e ambiental das intervenções.

O parque está localizado na APA Lagoas e Dunas do Abaeté, no bairro de Itapuã. A unidade de conservação administrada pelo Inema reúne aproximadamente 225 hectares de dunas, lagoas e vegetação de restinga em meio à área urbanizada de Salvador.

O que muda no mirante

A principal intervenção desta etapa é a reconstrução do mirante panorâmico, que terá estrutura de concreto, deck de madeira, cobertura com desenho curvilíneo e iluminação cênica. O projeto arquitetônico incorpora referências à identidade cultural de Itapuã: o formato circular da edificação foi inspirado no movimento do Samba de Roda e na trajetória das Ganhadeiras de Itapuã, grupo que representa a memória e as tradições culturais da região.

O acesso ao equipamento será organizado a partir de uma praça de entrada, com percurso por dois níveis de contemplação e vista para o mar. Uma rampa acompanhará a curvatura da construção, garantindo acessibilidade universal ao longo do trajeto e permitindo que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida também utilizem o mirante.

Praça, quadras e cercamento

A praça principal passará por requalificação abrangente, com intervenções no pavimento, nos acessos e na infraestrutura de drenagem. O projeto prevê piso intertravado e concreto, recomposição pontual de trechos da pedra portuguesa e reforma dos degraus existentes. Também será adequado o acesso para veículos pesados, e o sistema de drenagem será requalificado para melhorar o escoamento das águas pluviais, reduzindo problemas associados à drenagem inadequada.

Na área esportiva, as duas quadras de vôlei de areia, que hoje contam basicamente com areia e marcação, receberão revitalização completa. O projeto inclui adequação dos equipamentos, instalação de alambrados, bancos com cobertura e iluminação, ampliando as possibilidades de uso pela comunidade, inclusive no período noturno.

O cercamento do parque será concluído, com implantação de gradil metálico em aproximadamente 815 metros. A estrutura vai contribuir para delimitar e proteger o perímetro, organizar os espaços de uso público e auxiliar na proteção das áreas ambientais. Também está prevista a recomposição pontual da pedra portuguesa no entorno do Centro de Atividades.

De acordo com o Governo da Bahia, a etapa foi planejada para qualificar os equipamentos de uso público e melhorar as condições de circulação, acessibilidade e permanência dos visitantes, com atenção ao manejo das águas pluviais, à iluminação e à recuperação de espaços de convivência.

Conservação ambiental e uso público

O secretário do Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Mendonça Sodré Martins, afirmou que a intervenção dá continuidade ao trabalho de valorização dos espaços ambientais inseridos nas cidades e destacou as características ambientais e culturais do parque. Segundo ele, a requalificação concilia a conservação ambiental com o uso público sustentável e considera a relação histórica da comunidade com o território.

O diretor-geral do Inema, Eduardo Topázio, afirmou que a qualificação da infraestrutura precisa caminhar junto com a proteção dos ecossistemas da unidade de conservação, que desempenha funções ambientais importantes para Salvador, como a proteção das lagoas, das dunas e dos ambientes de restinga. Para ele, o acompanhamento do instituto é fundamental para compatibilizar a melhoria dos equipamentos públicos com a conservação do patrimônio natural.

A gestora da APA Lagoas e Dunas do Abaeté, Aline Freitas, destacou que as melhorias vão proporcionar melhores condições de acesso, circulação e permanência para moradores e visitantes. Segundo ela, o acompanhamento da gestão da APA é fundamental para que as intervenções respeitem as características ambientais da unidade e fortaleçam a relação da população com o patrimônio.

Histórico e etapas anteriores

Inaugurado em setembro de 1993, o Parque Metropolitano do Abaeté reúne ecossistemas de restinga, dunas e lagoas com funções ambientais relevantes, como a recarga hídrica e a regulação climática. O território abriga espécies associadas a esses ambientes, como o lagarto do Abaeté (Cnemidophorus abaetensis), endêmico da região.

Além da importância ecológica, o parque é um dos principais símbolos da identidade cultural de Itapuã. A história das lavadeiras, as manifestações religiosas de matriz africana e as tradições populares fazem parte da memória coletiva do território, que também inspirou artistas como Dorival Caymmi, Vinícius de Moraes e Toquinho.

A segunda etapa sucede às intervenções da primeira fase, que contemplaram a reforma da Casa da Música e do Centro de Atividades, além da implantação do Memorial do Abaeté, espaço dedicado à história, à biodiversidade e às manifestações culturais relacionadas ao parque. Com as novas obras, o projeto avança na recuperação dos espaços de convivência, contemplação e esporte para moradores, visitantes, turistas, escolas e grupos culturais que mantêm vínculos com o território.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.