Em resumo
  • Lauro de Freitas promoveu o Seminário Internacional Conexões Brasil-África no IFBA, com debates sobre letramento racial e cultura africana.
  • O evento contou com representantes de países africanos, pesquisadores, professores e estudantes, além de exposição e experiência com realidade virtual.
  • Secretárias municipais e o adido cultural de Angola defenderam a educação antirracista e a valorização da ancestralidade nas escolas.
Seminário em Lauro de Freitas une escolas e cultura africana para fortalecer letramento racial
Foto: Guilherme Góes

A Prefeitura de Lauro de Freitas promoveu, nesta sexta-feira (21/8), o Seminário Internacional Conexões Brasil-África, no Instituto Federal da Bahia (IFBA). O encontro teve como objetivo fortalecer o letramento racial nas escolas, ampliar o conhecimento sobre as culturas africanas e valorizar a ancestralidade como parte da formação dos estudantes.

O evento foi coordenado pelas Secretarias Municipais de Educação (SEMED) e da Mulher, Políticas Afirmativas, Direitos Humanos e Promoção da Igualdade Racial (SEMPADHIR). A programação reuniu representantes de países africanos, pesquisadores, professores, gestores e estudantes em discussões sobre educação, identidade, equidade e relações étnico-raciais.

Intercâmbio de experiências e práticas para as escolas

Conferências, mesas de discussão e sessões temáticas promoveram o intercâmbio de experiências brasileiras e africanas. A proposta, segundo a organização, foi transformar os conhecimentos compartilhados em práticas que alcancem o cotidiano das escolas.

O seminário também proporcionou uma imersão em temas como memória coletiva, linguagem, território, cultura, ancestralidade e saberes tradicionais. As discussões reforçaram a educação como instrumento de valorização da identidade e de enfrentamento ao racismo, articulando conhecimentos acadêmicos, experiências culturais e saberes ancestrais.

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Educação antirracista e identidade

A secretária municipal de Educação, Tamires Andrade, defendeu que promover uma educação antirracista exige ir além do discurso e inserir efetivamente o letramento racial no processo de ensino e aprendizagem. Ela destacou que Lauro de Freitas é a primeira cidade do Brasil a ter História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena como componente curricular.

“O letramento racial deve estar presente em todas as etapas da educação. Somos uma cidade de maioria negra, um celeiro de diversidade, cultura viva e histórias de resistência. Por isso, esta gestão está construindo uma educação na qual os nossos estudantes se reconheçam, compreendam suas origens e fortaleçam o sentimento de pertencimento”, afirmou.

A secretária da SEMPADHIR, Silvana Santana, também presente no evento, destacou o papel da escola na construção do pertencimento e da identidade racial. Para ela, é preciso começar pela sala de aula para que as crianças conheçam suas origens, valorizem sua ancestralidade e saibam se autoidentificar. Ela classificou o seminário como um passo importante para ampliar esse conhecimento e fortalecer uma educação comprometida com a igualdade racial.

Visão internacional e diversidade africana

Entre os participantes internacionais esteve o adido cultural da Embaixada de Angola no Brasil e diretor da Casa de Angola na Bahia, Luandino Carvalho. Ele avaliou que encontros dessa natureza contribuem para desconstruir uma visão generalizada sobre o continente africano e permitem compreender a pluralidade de povos, identidades e manifestações culturais que o constituem.

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“É muito importante promover esse conhecimento porque, de maneira geral, ainda se conhece pouco sobre a África. Somos 54 países, cada um com sua identidade, sua história e sua cultura. É preciso desconstruir essa ideia de uma África única e mostrar toda essa diversidade, que é muito rica e está profundamente ligada ao Brasil”, afirmou Luandino.

Literatura, exposição e realidade virtual

O evento também abriu espaço para a valorização da produção literária e das expressões culturais de matriz africana. No foyer do auditório, autores apresentaram suas obras ao público, enquanto uma exposição reuniu roupas e acessórios, como brincos, colares e pulseiras, inspirados em referências culturais e ancestrais africanas.

A programação incluiu ainda uma experiência imersiva no Museu Virtual Origens, que utiliza recursos de realidade virtual e metaverso para conectar tecnologia, memória e saberes ancestrais. A iniciativa proporcionou aos participantes uma nova forma de conhecer e vivenciar essas referências culturais.

A iniciativa evidenciou o papel da escola na formação de crianças e jovens capazes de reconhecer a diversidade presente no município e compreender as conexões históricas e culturais que unem Brasil e África.

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Sobre o autor Lúcia L.F

Lúcia L.F. é co-fundadora e Diretora de Parcerias do BahiaBR.com. É uma empreendedora de mídia digital com mais de uma década de experiência, atuando em portais de notícias na Bahia desde 2011.