Em resumo
  • Projeto Engenhoka foi lançado na Escola Municipal Amélia Rodrigues, no Tororó, com robótica e artes visuais para 60 estudantes.
  • As atividades têm 40 horas, ocorrem no contraturno e usam estúdio maker com tablets, impressora 3D e canetas 3D.
  • Os equipamentos serão doados à escola ao final do projeto, que chega pela primeira vez ao Nordeste.
Projeto Engenhoka leva robótica e artes visuais a 60 estudantes de escola municipal em Salvador
Foto: Otávio Santos / Secom PMS

Estudantes do 6º ao 9º ano da Escola Municipal Amélia Rodrigues, no Tororó, em Salvador, passam a ter acesso a atividades de robótica educacional e artes visuais. O lançamento do Projeto Engenhoka ocorreu nesta sexta-feira (28), às 14h, na unidade administrada pela Prefeitura de Salvador. A iniciativa é do Instituto Burburinho Cultural e atende 60 alunos.

A formação tem carga horária de 40 horas e acontece dentro da própria escola, em um estúdio maker montado para o projeto. O espaço foi equipado com quatro tablets, uma impressora 3D, uma televisão de 60 polegadas, um notebook para o instrutor, canetas 3D e materiais de arte. Em Salvador, as atividades ocorrem no contraturno escolar, com três horas semanais.

Metodologia une ciência e arte

O Engenhoka utiliza uma metodologia multidisciplinar que conecta conhecimentos científicos e artísticos. Durante as oficinas, os estudantes aprendem conceitos de robótica educacional enquanto desenvolvem atividades ligadas às artes visuais. As aulas são organizadas em cinco módulos, conduzidos por instrutores e monitores, e cada participante recebe um box maker com materiais para uso durante a formação.

Segundo a presidente do Instituto Burburinho Cultural, Priscila Seixas, a proposta vai além da construção de robôs e busca aproximar os estudantes da arte e da tecnologia. Ela explica que o processo criativo passa por referências artísticas antes da montagem dos equipamentos.

“Para construir um robô, a gente precisa construir uma escultura, uma obra. Então, os meninos vão conhecer a história da arte, passam por referências como Van Gogh e pensam, por exemplo, no pássaro autômato, reproduzindo também a tecnologia presente na arte para, então, construir seus robôs”, explicou.

Priscila também defende que ampliar o acesso à tecnologia desde a educação básica pode reduzir barreiras futuras para os jovens. “A gente consome muita tecnologia, mas o quanto estamos, de fato, operando e produzindo essa tecnologia? Ela também é um elemento de segregação social”, afirmou. A presidente do instituto ressalta que a intenção é apresentar a tecnologia como ferramenta de aprendizado e criação.

Estrutura permanece na escola

Um dos legados da iniciativa é a permanência da estrutura na unidade de ensino. Ao final do projeto, os equipamentos e o mobiliário utilizados no estúdio maker serão doados à Escola Municipal Amélia Rodrigues, garantindo que os recursos continuem disponíveis para os estudantes.

Esta é a terceira temporada do Engenhoka, que chega pela primeira vez ao Nordeste e entrega seu 20º estúdio maker. Com a chegada a Salvador, o projeto amplia sua atuação e conta hoje com polos educacionais nos estados do Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Bahia, mobilizando estudantes da rede pública.

Expectativa de alunos e diretora

A diretora da Escola Municipal Amélia Rodrigues, Cátia Machado, afirmou que a chegada do projeto era aguardada pela comunidade escolar desde o início do ano. “Desde o momento em que os alunos descobriram o projeto, eles ficaram muito mais interessados em tecnologia e robótica. Então, vai ser maravilhoso esse projeto”, disse.

Entre os participantes, a ansiedade é pelo primeiro contato com equipamentos novos. Maria Eduarda Bastos Couto, de 13 anos, aluna do 6º ano, contou que nunca fez atividades com robótica. “Eu estou muito ansiosa, porque eu não fiz coisas robóticas, eu não fiz robôs”, relatou. Já Rebeca Souza Santos, de 12 anos, também do 6º ano, demonstrou curiosidade específica pela impressora 3D. “Eu estou mais ansiosa com a máquina de impressão 3D porque me falaram muito bem dela e eu estou muito ansiosa para testar”, afirmou. Ela adiantou o que pretende criar: “Eu testaria uma caixinha de porta-lápis, que eu gosto muito dessa coisa de pintar”.

O Instituto Burburinho Cultural, responsável pelo projeto, completa 20 anos em 2026. A organização nasceu no Rio de Janeiro como produtora e passou a atuar também como instituto, desenvolvendo projetos ligados a políticas públicas e cultura. Além do Engenhoka, mantém iniciativas como o Lab 60+, voltado à terceira idade, e ações relacionadas à diversidade e à cultura.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.