✦ Resumo

Pesquisadores da Fiocruz identificaram 453 fragmentos de proteínas do parasita da malária que podem levar a uma vacina mais eficaz, capaz de proteger contra diferentes espécies e fases da doença, ao ativar linfócitos T CD8+.

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Foto de Rapha Wilde na Unsplash

Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificaram um conjunto inédito de fragmentos de proteínas do parasita Plasmodium que pode viabilizar uma vacina mais completa contra a malária. A descoberta, publicada nesta quarta-feira (1º) na revista Nature, abre caminho para um imunizante capaz de proteger contra diferentes espécies e atuar em várias fases da doença. O estudo inovou ao focar no papel dos linfócitos T CD8+, células de defesa que destroem diretamente as células infectadas, em vez de apenas na produção de anticorpos.

A pesquisa foi liderada pela pesquisadora Caroline Junqueira, da Fiocruz Minas. “Há mais de 50 anos se busca desenvolver uma vacina contra a malária e, só recentemente, tivemos aprovados imunizantes com eficácia limitada”, explica. O grande diferencial foi mostrar que as células T CD8+ desempenham papel central no combate ao parasita.

453 fragmentos de proteínas mapeados

Primeiro, os cientistas identificaram 453 peptídeos — pequenos fragmentos de proteínas — exibidos na superfície das células infectadas. Eles derivam de 166 proteínas do parasita. O mapeamento revelou que a maioria vem de proteínas housekeeping, essenciais para a sobrevivência do Plasmodium.

“Essas proteínas são necessárias em todos os estágios do ciclo de vida do parasita e altamente conservadas entre diferentes espécies”, afirma Junqueira. Na prática, isso significa que uma vacina baseada nesses alvos teria mais chances de funcionar de forma ampla, atingindo o parasita em diferentes momentos da infecção e em suas diversas variantes.

Resposta imune confirmada em cinco espécies

Os testes mostraram que células de pacientes infectados por P. vivax e P. falciparum reagiram aos antígenos identificados. A resposta foi observada em outras três espécies de Plasmodium, incluindo as que infectam primatas e camundongos.

  • Humanos naturalmente infectados
  • Humanos submetidos à infecção experimental
  • Modelos animais (camundongos e primatas)

Em primatas e camundongos, os antígenos induziram resposta de células T no fígado — onde ocorre a etapa inicial da infecção — e no sangue. Alguns alvos demonstraram efeito protetor, reduzindo a carga do parasita. “Não é só reconhecimento: vimos indícios de proteção”, diz a pesquisadora.

Diferencial das vacinas atuais

As vacinas disponíveis hoje têm eficácia parcial e são direcionadas principalmente ao P. falciparum, atuando só na fase inicial. A proteção tende a diminuir com o tempo. O novo estudo aponta um caminho diferente.

“Hoje, as vacinas não cobrem completamente todas as fases da infecção. Nosso trabalho mostra que esses antígenos estão presentes em vários momentos, o que atende a uma demanda importante da Organização Mundial da Saúde”, explica Caroline. Resultado: uma vacina capaz de atuar tanto no fígado quanto no sangue, eficaz contra diferentes espécies.

Apesar do avanço, ainda há um longo caminho até o desenvolvimento de um imunizante. Os achados precisam passar por novas etapas de validação e testes clínicos. “Nosso objetivo foi mostrar que existem caminhos diferentes e promissores. Agora, outros grupos podem explorar esses alvos e avançar no desenvolvimento de uma vacina realmente eficaz contra a malária”, concluiu a pesquisadora.

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Sobre o autor Lúcia L.F

Lúcia L.F. é co-fundadora e Diretora de Parcerias do BahiaBR.com. É uma empreendedora de mídia digital com mais de uma década de experiência, atuando em portais de notícias na Bahia desde 2011.