A anemia falciforme atinge milhares de baianos e exige atenção contínua. A doença genética altera o formato das hemácias, que passam de discos flexíveis para formas de foice. Essas células rígidas obstruem vasos sanguíneos e causam dores intensas. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registra cerca de 3.500 novos casos por ano. A Bahia concentra a maior prevalência do país, com 1 caso para cada 650 nascidos vivos.
Quais são os principais sintomas?
As crises de dor são o sinal mais comum. Elas ocorrem quando as células falciformes bloqueiam o fluxo sanguíneo. Dá pra sentir nos ossos, no peito e nas articulações. Outro sintoma frequente é a fadiga extrema, resultado da anemia crônica. A falta de oxigênio nos tecidos cansa o corpo inteiro.
- Dores agudas — crises que podem durar horas ou dias
- Fadiga e palidez — baixa contagem de glóbulos vermelhos
- Icterícia — olhos e pele amarelados por destruição das hemácias
- Inchaço nas mãos e pés — comum em bebês
- Infecções frequentes — o baço perde a função de filtrar bactérias
O fato é que muitos pacientes só descobrem a doença após uma crise grave. O diagnóstico precoce, feito pelo teste do pezinho, muda esse cenário.
Como é feito o tratamento?
O tratamento da anemia falciforme combina medicação e acompanhamento multidisciplinar. A hidroxiureia é o remédio mais usado. Ela aumenta a produção de hemoglobina fetal e reduz as crises de dor. Quem paga a conta é o morador, quando falta o remédio na rede pública.
Além da medicação, o paciente precisa de:
- Vacinação em dia — previne infecções que o baço não consegue combater
- Ácido fólico diário — ajuda na produção de novas hemácias
- Transfusões de sangue — indicadas em casos de anemia severa ou AVC
- Acompanhamento com hematologista, cardiologista e oftalmologista
Na prática, o transplante de medula óssea é a única cura possível. Mas o procedimento é restrito a pacientes com doador compatível e sem danos graves em órgãos.
A situação na Bahia
A Bahia lidera os números de casos no Brasil. Dados da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) indicam que cerca de 800 pessoas vivem com a doença em Salvador. O estado conta com 10 centros de referência para atendimento. O problema é que a distribuição de hidroxiureia falha em algumas regiões. Pacientes do interior enfrentam filas e deslocamentos longos.
Resultado: a ficha caiu tarde para muitas famílias. O diagnóstico precoce ainda não alcança todos os municípios. E quem precisa de atendimento especializado enfrenta a burocracia do sistema público.