Construir protótipos e desvendar os mistérios do universo deixaram de ser assuntos restritos aos livros para 19 jovens de Itabuna. Os estudantes do Ensino Médio do Colégio Estadual de Tempo Integral Valdelice Soares Pinheiro transformaram a teoria em prática, durante a participação na 29ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e na 20ª Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG). As provas teóricas e práticas aconteceram no dia 15 de maio, sob a organização da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB).
O projeto buscou despertar o interesse pelo espaço e pelas ciências de maneira lúdica. A competição foi dividida em duas etapas. As fases teórica e presencial contaram com a orientação do professor de Química Adelson Menezes, responsável por engajar a turma no projeto. “Na etapa teórica, a prova apresentou questões de Astronomia e Astronáutica. Por isso, preparamos os estudantes com simulados e atividades relacionadas ao tema com algumas semanas de antecedência e com um kit temático com lanche, lápis e caneta no dia da aplicação do exame”, explicou o educador.
Foguete de garrafa PET: prática que engaja
O maior destaque, no entanto, ficou para a parte prática. Seguindo o regulamento da SAB, a turma construiu um foguete de garrafa PET impulsionado por uma mistura de vinagre e bicarbonato de sódio. O professor Adelson detalhou que os jovens precisaram aplicar conceitos profundos de Matemática, Física e Química. “Os alunos tiveram aulas para entender a rota do foguete e a reação química que ocorre entre o bicarbonato e o vinagre. Assim, eles puderam analisar a proporção ideal de peso e combustível para fazer o melhor lançamento possível”, pontuou.
Na prática, quem ganhou foi o conhecimento. O desafio rendeu marcas impressionantes. O foguete que percorreu a maior distância do grupo foi o feito pelo estudante Davi Santos Viana, da 1ª série do Ensino Médio, alcançando incríveis 277 metros. Sobre a conquista, ele contou que seguiu as orientações técnicas ensinadas em sala de aula. “Antes do lançamento, eu observei a inclinação e aproveitei a força do vento para que o meu foguete alcançasse uma distância maior do que os demais.”
Resultado: a ficha caiu tarde para quem duvidava do poder da ciência no cotidiano. Enquanto aguardam a divulgação dos premiados na competição nacional, prevista para 30 de junho, o ritmo de estudos não para. O professor Adelson já prepara os estudantes para um novo desafio tecnológico. “O mesmo grupo irá participar da Olimpíada de Robótica, que deve acontecer em 9 de junho. Já estamos preparando os primeiros protótipos, organizando os componentes do robô e treinando nossos alunos”, antecipou.
Os jovens de Itabuna provam que Ciência, Física e Química podem, sim, engajar. E aqui mora o problema: a falta de projetos como esse em outras escolas. Construir um foguete de garrafa PET que voou 277 metros é mais do que um recorde — é a prova de que o ensino prático transforma vidas. O colégio Valdelice Soares Pinheiro já colhe os frutos de uma iniciativa que une teoria e mão na massa.
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