A Prefeitura de Salvador promoveu na manhã desta sexta-feira (17) o I Seminário Creas Garcia – Proteção Social Integral à Criança e ao Adolescente: Enfrentando o Abuso e a Exploração Sexual – Faça Bonito. O evento ocorreu no auditório da Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), no bairro do Comércio. Cerca de 90 representantes da rede socioassistencial, instituições parceiras e profissionais que atuam na proteção de crianças e adolescentes participaram do encontro.
O seminário teve como objetivo fortalecer a articulação entre os órgãos da rede de proteção. Também apresentou os serviços ofertados pelo Creas Garcia e promoveu reflexões sobre o enfrentamento ao abuso e à exploração sexual infantojuvenil. A programação incluiu palestras, roda de conversa e troca de experiências entre os participantes.
Atuação integrada contra o abuso sexual
O secretário da Sempre, Júnior Magalhães, ressaltou a importância da atuação integrada entre os órgãos responsáveis. “Não podemos tolerar nenhum tipo de violência contra nossas crianças e adolescentes. O enfrentamento ao abuso e à exploração sexual exige vigilância contínua, prevenção e, acima de tudo, uma atuação conjunta e articulada”, declarou. “A campanha ‘Faça Bonito’ surge como mais um espaço estratégico de integração, onde ajustamos nossos fluxos e alinhamos ações com os órgãos parceiros, fortalecendo a rede de atendimento”, acrescentou o titular da Sempre.
O psicólogo e professor universitário Lucas Vezedek Passarinho, um dos palestrantes, afirmou que a qualificação permanente dos profissionais é essencial. “Esse seminário é fundamental. É uma estratégia da qual a gente não pode abrir mão, que é conversar e formar pessoas que trabalham na proteção de crianças e adolescentes, sensibilizando, sobretudo, sobre a violência e a exploração sexual”, disse. Segundo ele, o enfrentamento passa também pela superação de barreiras culturais. “Um dos maiores desafios é enfrentar o machismo, o patriarcado e a cultura de silenciamento das principais vítimas de violência. Outro desafio é ampliar a rede de proteção, porque ainda não temos uma oferta de cuidado que consiga chegar a todas as pessoas”, continuou Lucas.
Equidade e território na proteção infantojuvenil
A professora Elizabeth Aparecida Pinto abordou a importância de considerar as diferentes realidades vividas por crianças e adolescentes. “Esse seminário é importante porque discute a infância e a adolescência de forma transversal. O diferencial é abordar temas como gênero, raça, etnia e território. Nem todas as crianças são iguais, e quando a gente pensa em equidade isso faz toda a diferença”, destacou.
Servidora da Sempre e integrante do Cras da Federação, Marluce Queiroz Matos avaliou o encontro como positivo. “É um momento de refletir sobre as práticas de proteção às crianças e aos adolescentes, tanto na proteção básica quanto na especial. Acredito que todos sairão daqui mais instrumentalizados. Os palestrantes têm uma trajetória muito relevante, e isso nos ajuda a ampliar os conhecimentos e as reflexões para qualificar ainda mais a atuação profissional”, contou.
O fato é que o seminário botou o dedo na ferida ao unir órgãos, profissionais e a comunidade para enfrentar um problema que, na prática, ainda enfrenta barreiras culturais e estruturais. Para a Prefeitura de Salvador, a iniciativa representa um passo concreto na articulação da rede de proteção — algo que, segundo os participantes, precisa ser contínuo para proteger quem mais precisa.