Prefeitura de Salvador lança projeto de inclusão para crianças com autismo
A Prefeitura de Salvador lançou nesta quarta-feira (29) o projeto Mergulho na Inclusão, voltado para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A iniciativa, realizada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) e pela Coordenadoria de Salvamento Marítimo (Salvamar), oferece banho de piscina assistido como ferramenta de estimulação sensorial, motora e cognitiva. O lançamento ocorreu na sede da Salvamar, em Patamares.
Na primeira etapa, 29 crianças com TEA participaram da atividade acompanhadas dos pais. O projeto contempla 260 participantes no total, com aulas duas vezes por semana nos turnos matutino e vespertino. A ação é fruto de parceria com a Universidade Salvador (Unifacs) e a Instituição Serviço Social Autônomo (SSA Inclusão).
Inclusão com ações efetivas
Para o secretário de Ordem Pública, Décio Martins, o programa já mostra resultados desde o início. “A água tem sido um instrumento de desenvolvimento, autonomia e bem-estar. É gratificante ver famílias sendo acolhidas e crianças desenvolvendo seu potencial. Nosso compromisso é ampliar projetos que promovam respeito, inclusão e oportunidades para todos”, afirmou.
O coordenador da Salvamar, Kailani Dantas, destacou que a iniciativa amplia o papel social do órgão. “Já temos o Mar sem Barreiras e, agora, o Mergulho na Inclusão. Não se trata de uma ação pontual, mas de um projeto contínuo voltado para crianças com autismo em nossa cidade”, disse. Dantas também ressaltou o engajamento institucional: “Nunca vimos a instituição tão engajada em projetos sociais”.
Demanda superou expectativas
A presidente do SSA Inclusão, Paula Pitanga, revelou que a procura foi espontânea e superou as previsões. “A demanda veio pelas redes sociais e pelo boca a boca. Tivemos que encerrar as inscrições antes do prazo e já estudamos abrir novas turmas para atender quem ficou de fora”, explicou. Ao todo, 65 voluntários da Unifacs participam das atividades, com revezamento a cada aula.
Para a representante da Unifacs no projeto, Dejenane Fernandes, a experiência vai além da sala de aula. “Medicina e enfermagem não se limitam ao ambiente hospitalar. Trazer a universidade para fora dos muros acadêmicos é fundamental”, afirmou.
Acolhimento e segurança para as famílias
A dona de casa Aparecida Dantas, de 39 anos, participou com a filha Aila Vitória, de 6 anos, diagnosticada com autismo nível dois de suporte. “Muitas vezes não temos tempo, e essa é uma atividade importante para ela. Ver minha filha sorrindo é emocionante”, contou.
Morador de Pituaçu, o porteiro Herbert dos Santos, de 38 anos, acompanhou a esposa e a filha Alice, de 8 anos, também com autismo nível dois de suporte. “Em muitos lugares, minha filha não se sente acolhida, mas aqui encontramos profissionais preparados. Estou muito feliz com essa iniciativa”, comemorou. O projeto é uma iniciativa instituída por lei municipal, voltada ao fortalecimento de políticas públicas para pessoas em situação de vulnerabilidade.
A proposta utiliza a água como instrumento de estímulo, bem-estar e socialização, em um ambiente adaptado às necessidades sensoriais das crianças. A atividade reforça a inclusão social e garante acesso a práticas recreativas seguras e acolhedoras.