A Defesa Civil de Salvador (Codesal) passou a usar drones para mapeamento aéreo de áreas vulneráveis, ampliando a capacidade de diagnóstico e de planejamento de intervenções estruturais na capital baiana. A tecnologia é empregada principalmente em localidades com ocupações irregulares e terrenos de difícil acesso, onde complementa as vistorias técnicas feitas em campo.
Segundo a Assessoria de Comunicação da Codesal, a operação com drone é uma etapa fundamental para a construção dos Planos de Ações Estruturais (PAE), documentos que orientam intervenções multidisciplinares em comunidades específicas. O objetivo é fornecer à administração pública um material que permita planejar ações para garantir a retomada da dignidade da condição de habitabilidade dessas localidades.
Como funciona o mapeamento
Antes de cada voo, a equipe realiza um estudo detalhado da área para definir os pontos de interesse que exigem maior riqueza de detalhes. O trajeto é planejado por meio de um software específico, que define parâmetros como percurso, altura e duração, garantindo eficiência e segurança na operação.
“O voo é precedido da visita ao local. É uma definição antecipada, em que avaliamos a situação local e os pontos que são necessários sobrevoar com a aeronave”, explica Élio Perrone, chefe do setor de Gestão de Risco da Codesal.
Os equipamentos utilizados geram imagens aéreas georreferenciadas de alta resolução. O voo opera a uma altura de 80 a 100 metros e o drone permite rotação de 360 graus, varrendo todo o perímetro que precisa ser estudado. Cada operação é registrada na plataforma Sistema de Solicitação de Acesso ao Espaço Aéreo por Remotamente Pilotados (Sarpas), o que garante a rastreabilidade da atividade.
Processamento e uso dos dados
Após a coleta das imagens e vídeos, os dados são processados para gerar uma ortofoto, que é uma representação única e corrigida da área sobre coordenadas reais. Esse material permite avaliar as condições do terreno, identificar interferências e planejar intervenções que envolvem drenagem, geotecnia e urbanismo, incluindo a criação de áreas verdes, sempre que possível, com foco nas Soluções Baseadas na Natureza (SBN).
O mapeamento também é agregado a outros dados computacionais, como imagens de satélite. A equipe técnica, formada por engenheiros, geólogos, urbanistas e arquitetos, avalia continuamente as informações para verificar a necessidade de novos levantamentos, conforme o nível de complexidade local.
Histórico do projeto
O projeto teve início em 2023, com o primeiro voo realizado na área de risco de Bosque Real. Desde então, outros levantamentos foram feitos em localidades como Bom Juá, Mangueira e Creche. A periodicidade dos voos é definida conforme a necessidade local e a complexidade de cada área.
O diretor-geral da Codesal, Adriano Silveira, destaca que o mapeamento é o ponto de partida do trabalho do órgão. “O mapeamento é uma parte importante, mas é o início do nosso trabalho. A partir da característica multidisciplinar do setor, elaboramos soluções para resolver questões de segurança geológica, hídrica, alagamentos e deslizamentos”, afirma.
Karla Weyll, chefe do setor de Mapeamento de Áreas de Risco da Codesal, ressalta que a visão aérea complementa a análise presencial. “O mapeamento facilita uma visão geral das interferências e da disposição dos imóveis, que muitas vezes não é perceptível na vistoria presencial. O drone auxilia a nossa equipe técnica quanto a essas necessidades e ao aprofundamento necessário para a avaliação de intervenções multidisciplinares”, pontua.