Em resumo

Terceira reportagem da série "Camaçari 268 anos: Saberes dos Territórios" retrata a história e as tradições de Monte Gordo, distrito banhado pelos rios Jacuípe e Pojuca.

Monte Gordo mantém viva história e tradições em série de Camaçari 268 anos
Foto: Cauê Soares

O distrito de Monte Gordo, em Camaçari, mantém viva a história de seu povo por meio das manifestações culturais preservadas pelos moradores. Banhado pelos rios Jacuípe e Pojuca, o local reúne paisagens naturais marcantes e tradições que atravessam gerações, tema da terceira reportagem da série “Camaçari 268 anos: Saberes dos Territórios”.

A reportagem retrata como a relação entre passado e presente permeia o cotidiano do distrito. A história da comunidade segue viva através das manifestações culturais preservadas pelos moradores, que nutrem uma verdadeira paixão pelo local.

Uma vida inteira em Monte Gordo

A professora aposentada Marta Pereira, de 74 anos, nasceu, cresceu e segue vivendo em Monte Gordo. Para ela, não há lugar melhor no mundo.

“Cresci, estudei e trabalhei aqui a minha vida toda, vi de perto a evolução chegar em Monte Gordo, e eu amo Monte Gordo. Eu posso sair, passear, Fortaleza, Rio de Janeiro, vou pra todos os lugares mas não troco Monte Gordo e dou o maior valor. Fico indignada quando eu vejo gente daqui e outros que vieram de lá, que estão aqui, falarem de Monte Gordo, não têm noção do que é Monte Gordo”, afirma.

Para Marta, um dos principais fatores que torna a localidade tão especial é a riqueza cultural, que segue viva apesar de todas as mudanças.

Ela lembra que antigamente a comunidade tinha dois festejos de São Bento, Bumba Meu Rei e Bangariô, entre outras manifestações culturais voltadas à preservação da tradição. A moradora também destaca que Monte Gordo é um lugar muito preservado, com muita natureza.

Projeto resgata manifestações culturais

Com o objetivo de manter viva a memória dessas tradições, o pedagogo Lucas Gois criou o projeto “Historiando Monte Gordo”, que resgata manifestações culturais da região e as apresenta para as novas gerações.

Lucas conta que, quando nasceu, não havia mais muitas manifestações culturais sendo apresentadas. Segundo ele, as manifestações não deixaram de existir, mas as pessoas que as faziam estavam “meio que adormecidas em casa”, com limitações por causa da idade.

O pedagogo relata que sua avó, chamada Bangô, era uma dessas pessoas. A partir dela, Lucas foi ao encontro de outros moradores da comunidade para tentar resgatar a cultura que estava apagada. De várias manifestações, 20 estão de volta, resgatadas no grupo Bangariô.

Lucas destaca que é preciso valorizar e reconhecer a importância da história viva em cada morador. Para ele, o que mais gosta em Monte Gordo são os mais velhos, por sua história e trajetória de vida.

O pedagogo ainda ressalta que, para que haja a construção de um futuro melhor, é necessário reconhecer o passado. Segundo ele, a comunidade tem uma história rica, mas as pessoas a desconhecem, assim como Camaçari em si, da qual os moradores de Monte Gordo fazem parte.

Identidade construída pelos moradores

Entre a natureza e a cultura, Monte Gordo mantém uma identidade construída ao longo dos anos pelos moradores, que seguem lutando para que a comunidade avance, mas sem esquecer o principal patrimônio: seu povo.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.