✦ Resumo

Nefrologista alerta que reduzir ingestão de água no inverno aumenta risco de infecção urinária, cálculo renal e insuficiência renal crônica; recomendação é de 1,5 a 2 litros por dia.

Nefrologista Dr. Carlos Mendes alerta sobre ingestão de água no inverno para prevenir doença renal, no Hospital Geral Roberto
Foto de engin akyurt na Unsplash

Beber água no inverno não é opcional — é questão de saúde pública. Quem reduz a ingestão de líquidos nos meses frios aumenta o risco de infecção urinária, cálculo renal e até insuficiência renal crônica. O alerta é do nefrologista Dr. Carlos Mendes, do Hospital Geral Roberto Santos, em Salvador.

O médico explica que a sensação de sede diminui naturalmente no frio. Só que o corpo continua perdendo água pela respiração, suor e urina. Resultado: muita gente passa o dia inteiro sem beber um copo d’água. “É um erro grave. A desidratação leve já compromete a filtração dos rins”, afirma Dr. Mendes.

No inverno, a recomendação clínica é clara: adultos devem ingerir entre 1,5 e 2 litros de água por dia. Crianças e idosos precisam de atenção redobrada — eles desidratam mais rápido. O nefrologista sugere colocar alarmes no celular ou manter uma garrafa sempre à vista. “Se a urina estiver escura, o rim já está sobrecarregado”, completa.

Doenças renais que disparam no frio

O Hospital Geral Roberto Santos registra aumento de 30% nos atendimentos de emergência por cólica renal entre maio e agosto. A conta é simples: menos água ingerida, urina mais concentrada, cristais se formam mais fácil. E a dor? Quem já teve sabe — é das piores.

Pra piorar, a infecção urinária também ganha terreno. A urina concentrada vira um caldo de cultura para bactérias. Em idosos, o quadro pode evoluir para sepse, com risco de morte. “Muita gente acha que infecção urinária é coisa simples. Não é. Pode levar à internação em UTI”, alerta Dr. Mendes.

Dados que assustam

  • 30% de aumento nas emergências por cálculo renal no inverno (Hospital Geral Roberto Santos, 2024)
  • 1,5L a 2L de água é a meta diária para adultos saudáveis
  • Idosos com desidratação leve têm risco 4x maior de infecção urinária
  • Insuficiência renal crônica atinge 10% da população brasileira, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia

Quem paga a conta é o morador

O tratamento de uma crise renal aguda custa em média R$ 3 mil ao SUS. Já a hemodiálise crônica sai por R$ 250 por sessão — três vezes por semana. Traduzindo: prevenir com água é infinitamente mais barato que tratar. Beber água no inverno não é frescura — é a diferença entre um rim saudável e uma máquina de diálise.

A ficha caiu tarde para muitos pacientes que chegam ao pronto-socorro desidratados. Dr. Mendes recomenda um teste simples: apertar a pele do dorso da mão. Se ela demorar a voltar ao normal, o corpo está pedindo água. “Não espere sentir sede. Sede já é sinal de desidratação”, finaliza o nefrologista.

Carregando comentários...

Regras: Seu comentário será analisado antes de publicado. Não são permitidos links, ofensas, discurso de ódio ou spam. Comentários abertos por 30 dias.

Encontrou algum erro? Entre em contato
Sobre o autor Lúcia L.F

Lúcia L.F. é co-fundadora e Diretora de Parcerias do BahiaBR.com. É uma empreendedora de mídia digital com mais de uma década de experiência, atuando em portais de notícias na Bahia desde 2011.