Beber água no inverno não é opcional — é questão de saúde pública. Quem reduz a ingestão de líquidos nos meses frios aumenta o risco de infecção urinária, cálculo renal e até insuficiência renal crônica. O alerta é do nefrologista Dr. Carlos Mendes, do Hospital Geral Roberto Santos, em Salvador.
O médico explica que a sensação de sede diminui naturalmente no frio. Só que o corpo continua perdendo água pela respiração, suor e urina. Resultado: muita gente passa o dia inteiro sem beber um copo d’água. “É um erro grave. A desidratação leve já compromete a filtração dos rins”, afirma Dr. Mendes.
No inverno, a recomendação clínica é clara: adultos devem ingerir entre 1,5 e 2 litros de água por dia. Crianças e idosos precisam de atenção redobrada — eles desidratam mais rápido. O nefrologista sugere colocar alarmes no celular ou manter uma garrafa sempre à vista. “Se a urina estiver escura, o rim já está sobrecarregado”, completa.
Doenças renais que disparam no frio
O Hospital Geral Roberto Santos registra aumento de 30% nos atendimentos de emergência por cólica renal entre maio e agosto. A conta é simples: menos água ingerida, urina mais concentrada, cristais se formam mais fácil. E a dor? Quem já teve sabe — é das piores.
Pra piorar, a infecção urinária também ganha terreno. A urina concentrada vira um caldo de cultura para bactérias. Em idosos, o quadro pode evoluir para sepse, com risco de morte. “Muita gente acha que infecção urinária é coisa simples. Não é. Pode levar à internação em UTI”, alerta Dr. Mendes.
Dados que assustam
- 30% de aumento nas emergências por cálculo renal no inverno (Hospital Geral Roberto Santos, 2024)
- 1,5L a 2L de água é a meta diária para adultos saudáveis
- Idosos com desidratação leve têm risco 4x maior de infecção urinária
- Insuficiência renal crônica atinge 10% da população brasileira, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia
Quem paga a conta é o morador
O tratamento de uma crise renal aguda custa em média R$ 3 mil ao SUS. Já a hemodiálise crônica sai por R$ 250 por sessão — três vezes por semana. Traduzindo: prevenir com água é infinitamente mais barato que tratar. Beber água no inverno não é frescura — é a diferença entre um rim saudável e uma máquina de diálise.
A ficha caiu tarde para muitos pacientes que chegam ao pronto-socorro desidratados. Dr. Mendes recomenda um teste simples: apertar a pele do dorso da mão. Se ela demorar a voltar ao normal, o corpo está pedindo água. “Não espere sentir sede. Sede já é sinal de desidratação”, finaliza o nefrologista.