✦ Resumo

Bahia registra 7.500 casos e duas mortes por chikungunya em 2025, com aumento de 30% nas notificações.

Mosquito Aedes aegypti.
Foto de Tonmoy Iftekhar na Unsplash

A Bahia registrou 7.500 casos prováveis de chikungunya e confirmou duas mortes pela doença em 2025, segundo o mais recente boletim epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde (Sesab). Os dados, que cobrem o período até a primeira quinzena de abril, apontam um aumento de 30% nas notificações em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior. A capital, Salvador, concentra 40% das ocorrências, com bairros como Pau da Lima, Cajazeiras e São Caetano apresentando as maiores incidências.

As duas mortes confirmadas pela Sesab aconteceram em fevereiro. As vítimas eram um idoso de 72 anos, residente em Feira de Santana, e uma mulher de 58 anos, de Salvador. Ambos os pacientes tinham histórico de doenças crônicas pré-existentes, quadro que agrava os riscos da infecção. A secretaria investiga outros cinco óbitos suspeitos de terem relação com o vírus.

O avanço da chikungunya acendeu o alerta nas regionais de saúde. A coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesab, Rita de Cássia, foi direta: “Estamos diante de uma circulação intensa do vírus. A população precisa eliminar os criadouros do Aedes aegypti dentro de casa, porque 80% dos focos estão em domicílios”. O mosquito é o mesmo transmissor da dengue e do zika vírus.

Por que a chikungunya preocupa tanto as autoridades?

Diferente da dengue, a chikungunya tem como marca registrada as fortes dores articulares, que podem persistir por meses ou até anos. É a chamada fase crônica. O boletim da Sesab mostra que 15% dos casos notificados evoluíram para essa condição debilitante. O dado é um sinal claro do impacto social e econômico da doença, que tira pessoas do trabalho e sobrecarrega o sistema de saúde.

Na prática, a rede pública já sente a pressão. Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em Salvador relatam filas mais longas de pacientes com sintomas como febre alta, manchas vermelhas no corpo e, principalmente, queixas intensas de dor nas juntas. A subnotificação é outro fantasma. Muita gente com sintomas mais leves nem procura atendimento, o que significa que os números reais podem ser ainda maiores.

O que os municípios estão fazendo para conter o avanço?

Diante do cenário, prefeituras de cidades com alta incidência iniciaram operações de bloqueio. Em Salvador, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) intensificou a aplicação de fumacê em bairros críticos e ampliou as visitas de agentes de endemia. A meta é vistoriar 300 mil imóveis nas próximas quatro semanas. Em Feira de Santana, a segunda cidade com mais casos, a estratégia inclui mutirões de limpeza em terrenos baldios e parceria com a Defesa Civil para remover entulhos.

Mas eis o ponto: as chuvas intermitentes dos últimos meses criaram o ambiente perfeito para o mosquito. Qualquer recipiente esquecido no quintal — uma tampa de garrafa, um pneu velho, um pratinho de vaso — vira criadouro em potencial. O combate eficaz depende, quase que totalmente, da ação diária dentro de cada residência. Sem essa mudança de hábito, o ciclo de transmissão não será interrompido.

O que fica para o cidadão? A orientação da Sesab é clara: ao primeiro sinal de febre alta e dor articular intensa, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde. A hidratação é fundamental. Automedicação, especialmente com anti-inflamatórios, deve ser evitada sem prescrição médica. O fechamento do primeiro quadrimestre de 2025 serve como um termômetro preocupante. Se as medidas de prevenção não forem radicalmente adotadas agora, o sistema de saúde pode enfrentar uma sobrecarga ainda maior nos próximos meses.

Carregando comentários...

Os comentários para este post foram encerrados (mais de 30 dias).

Encontrou algum erro? Entre em contato
Sobre o autor Lúcia L.F

Lúcia L.F. é co-fundadora e Diretora de Parcerias do BahiaBR.com. É uma empreendedora de mídia digital com mais de uma década de experiência, atuando em portais de notícias na Bahia desde 2011.