O Ministério da Saúde emitiu um alerta nesta quarta-feira, 1º, para combater uma nova onda de desinformação que circula nas redes sociais. A pasta rebate publicações falsas que afirmam, sem base científica, que a vacina contra a gripe aumentaria o risco de contrair a própria doença. A campanha nacional de imunização começou no sábado, 28, e segue até 30 de maio nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, com mais de 2,3 milhões de doses já distribuídas.
“A informação é falsa”, afirmou o ministério em nota. A vacina contra a gripe disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) é a Influenza trivalente, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan com vírus inativados, fragmentados e purificados. Esse processo a torna incapaz de provocar a doença em quem é imunizado. O imunizante é recomendado pelo Ministério da Saúde, pré-qualificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e segue as orientações internacionais, incluindo as da agência reguladora dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA).
Por que a confusão acontece?
Um dos fatores que alimenta os boatos, segundo a pasta, é a coincidência de períodos. O vírus influenza circula com mais força no outono e inverno, mesma época em que aumentam os casos de outras viroses respiratórias, como parainfluenza, covid-19, vírus sincicial respiratório (VSR) e rinovírus. Pessoas vacinadas podem ser infectadas por esses outros vírus e apresentar sintomas semelhantes aos da gripe. Isso gera a falsa impressão de que a vacina não funcionou ou piorou a situação.
Na prática, a história é outra. A imunização reduz a chance de desenvolver sintomas graves e diminui significativamente o risco de internações e morte. A eficácia é comprovada na prevenção de desfechos graves, especialmente entre os grupos mais vulneráveis: crianças de 6 meses a menores de 6 anos e pessoas com 60 anos ou mais.
Quem deve se vacinar e por que anualmente?
A campanha é direcionada a grupos prioritários. A lista inclui idosos, crianças na faixa etária mencionada, gestantes, trabalhadores da saúde, professores, pessoas com comorbidades, pessoas com deficiência, forças de segurança, caminhoneiros e trabalhadores do transporte coletivo. A vacinação anual é fundamental porque a composição da vacina é atualizada a cada ano, seguindo orientações da OMS, para acompanhar as cepas de vírus influenza mais prevalentes na temporada.
Enquanto isso, o ministério reforçou a vigilância da Influenza A (H3N2), com foco no subclado K, registrado com frequência em países como Estados Unidos e Canadá. No Brasil, a situação é diferente. Até o momento, foram identificados apenas quatro casos desse subclado, conforme análises conduzidas por laboratórios de referência nacional, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Adolfo Lutz.
O alerta final da pasta é direto: “A vacina contra a gripe não aumenta o risco da doença, ela salva vidas”. A orientação é clara para a população: aderir à imunização e sempre checar informações em fontes oficiais, como os sites do Ministério da Saúde e da OMS, antes de repassar qualquer conteúdo.