✦ Resumo

A telemedicina no SUS da Bahia amplia o acesso de pacientes do interior a especialistas, reduzindo deslocamentos e filas de espera, com economia que supera os investimentos em tecnologia.

telemedicina
Foto de National Cancer Institute na Unsplash

Para muitos baianos que vivem em regiões afastadas dos grandes centros, conseguir uma consulta com um médico especialista pelo SUS sempre foi uma jornada longa e desgastante. Dependendo da localidade, o atendimento exigia horas — ou até dias — de deslocamento, além de gastos com transporte, hospedagem e alimentação. Nos últimos anos, porém, a expansão da conectividade digital começou a mudar esse cenário, inclusive no Sistema Único de Saúde (SUS).

A tecnologia está redefinindo o atendimento público de saúde na Bahia. O uso da telemedicina, por exemplo, já permite que pacientes de cidades do interior tenham acesso a especialistas sem sair de casa. A prática, que ganhou força durante a pandemia de Covid-19, se consolidou como ferramenta permanente em diversas secretarias municipais de saúde.

Como a telemedicina funciona no SUS baiano

O modelo mais comum é a teleconsultoria: médicos da atenção básica em municípios remotos se conectam, por videochamada, com especialistas de grandes hospitais. Eles discutem casos, tiram dúvidas e definem condutas. O resultado: o paciente evita viagens desnecessárias e reduz a fila de espera por procedimentos.

Em cidades como Ilhéus e Vitória da Conquista, a prefeitura já firmou parcerias com instituições de ensino para oferecer teleconsultas em dermatologia, cardiologia e psiquiatria. A ficha caiu tarde para alguns gestores, mas o fato é que a economia com transporte e diárias de pacientes já supera o investimento em equipamentos.

Dados que comprovam o impacto

Segundo levantamento do Ministério da Saúde, estados que adotaram a telemedicina de forma estruturada reduziram em até 40% o número de encaminhamentos desnecessários para hospitais de alta complexidade. Na prática, quem paga a conta é o morador que antes gastava dinheiro e tempo para ir até Salvador.

  • Redução de custos com transporte sanitário
  • Diminuição do absenteísmo em consultas especializadas
  • Agilidade no diagnóstico de doenças crônicas
  • Desafio: conectividade em áreas rurais ainda é limitada

Desafios e próximos passos

Nem tudo são flores. A falta de internet de qualidade em distritos e zonas rurais ainda trava a expansão do serviço. Em 2025, a Secretaria de Saúde da Bahia mapeou 120 municípios com conectividade insuficiente para teleconsultas. O bicho pegou para quem depende de plataformas instáveis.

Outro gargalo é a capacitação dos profissionais. Muitos médicos da atenção básica relatam dificuldade técnica para operar os sistemas. A solução, segundo a pasta, passa por treinamentos remotos e investimento em equipamentos simples, como câmeras e fones de ouvido.

A promessa que ficou no papel por décadas agora começa a sair do discurso e virar realidade nas unidades de saúde da Bahia. Para o cidadão que mora no interior, o celular na mão pode ser o primeiro passo para uma consulta que antes era impossível.

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Sobre o autor Lúcia L.F

Lúcia L.F. é co-fundadora e Diretora de Parcerias do BahiaBR.com. É uma empreendedora de mídia digital com mais de uma década de experiência, atuando em portais de notícias na Bahia desde 2011.