Para muitos baianos que vivem em regiões afastadas dos grandes centros, conseguir uma consulta com um médico especialista pelo SUS sempre foi uma jornada longa e desgastante. Dependendo da localidade, o atendimento exigia horas — ou até dias — de deslocamento, além de gastos com transporte, hospedagem e alimentação. Nos últimos anos, porém, a expansão da conectividade digital começou a mudar esse cenário, inclusive no Sistema Único de Saúde (SUS).
A tecnologia está redefinindo o atendimento público de saúde na Bahia. O uso da telemedicina, por exemplo, já permite que pacientes de cidades do interior tenham acesso a especialistas sem sair de casa. A prática, que ganhou força durante a pandemia de Covid-19, se consolidou como ferramenta permanente em diversas secretarias municipais de saúde.
Como a telemedicina funciona no SUS baiano
O modelo mais comum é a teleconsultoria: médicos da atenção básica em municípios remotos se conectam, por videochamada, com especialistas de grandes hospitais. Eles discutem casos, tiram dúvidas e definem condutas. O resultado: o paciente evita viagens desnecessárias e reduz a fila de espera por procedimentos.
Em cidades como Ilhéus e Vitória da Conquista, a prefeitura já firmou parcerias com instituições de ensino para oferecer teleconsultas em dermatologia, cardiologia e psiquiatria. A ficha caiu tarde para alguns gestores, mas o fato é que a economia com transporte e diárias de pacientes já supera o investimento em equipamentos.
Dados que comprovam o impacto
Segundo levantamento do Ministério da Saúde, estados que adotaram a telemedicina de forma estruturada reduziram em até 40% o número de encaminhamentos desnecessários para hospitais de alta complexidade. Na prática, quem paga a conta é o morador que antes gastava dinheiro e tempo para ir até Salvador.
- Redução de custos com transporte sanitário
- Diminuição do absenteísmo em consultas especializadas
- Agilidade no diagnóstico de doenças crônicas
- Desafio: conectividade em áreas rurais ainda é limitada
Desafios e próximos passos
Nem tudo são flores. A falta de internet de qualidade em distritos e zonas rurais ainda trava a expansão do serviço. Em 2025, a Secretaria de Saúde da Bahia mapeou 120 municípios com conectividade insuficiente para teleconsultas. O bicho pegou para quem depende de plataformas instáveis.
Outro gargalo é a capacitação dos profissionais. Muitos médicos da atenção básica relatam dificuldade técnica para operar os sistemas. A solução, segundo a pasta, passa por treinamentos remotos e investimento em equipamentos simples, como câmeras e fones de ouvido.
A promessa que ficou no papel por décadas agora começa a sair do discurso e virar realidade nas unidades de saúde da Bahia. Para o cidadão que mora no interior, o celular na mão pode ser o primeiro passo para uma consulta que antes era impossível.