✦ Resumo

Estudantes baianos criam suplemento alimentar de moringa para gado, oferecendo alternativa de baixo custo a produtores do semiárido.

uma moça e um rapaz, osdois estudantes, segurando a bandeira da cidade
Foto: Divulgação

Estudantes do Colégio Estadual de Tempo Integral de Igaporã, no Território do Velho Chico, desenvolveram um suplemento alimentar para bovinos à base de moringa oleifera. A iniciativa dos jovens cientistas Lívia Lopes e Pedro Henrique visa oferecer uma alternativa de baixo custo para pequenos produtores rurais do semiárido, região castigada pela estiagem que seca a vegetação e encarece a nutrição animal. O projeto foi destaque no Encontro Estudantil da Secretaria da Educação do Estado.

A estiagem prolongada é um desafio brutal. O capim some. A palma e a cana-de-açúcar nem sempre dão conta. Quem paga a conta é o pequeno criador, forçado a comprar ração cara ou reduzir o rebanho. Foi essa realidade, observada em quatro fazendas da região, que motivou a pesquisa. Duas propriedades já usavam folhas de moringa na alimentação do gado. As outras, não. A diferença prática despertou a investigação.

“A ideia surgiu a partir da dificuldade de nutrição animal no semiárido baiano”, explica Lívia Lopes. A estudante aponta a moringa como solução estratégica: planta de fácil cultivo, baixo custo e alta adaptação ao clima seco. Rica em proteínas, ferro, cálcio e vitaminas A e C, ela se torna uma matéria-prima acessível. O objetivo é claro: reduzir custos e incentivar uma solução sustentável nascida no próprio território.

Da sala de aula para as fazendas: o método científico em ação

Não foi apenas uma ideia teórica. Lívia e Pedro, orientados pelos professores Poliana Cardoso e Robson Costa, executaram todas as etapas de uma pesquisa científica. Visitaram propriedades. Conversaram com produtores. Analisaram a prática no campo. O trabalho agora entra em nova fase. A equipe busca parcerias para desenvolver o produto, aprofundar análises nutricionais e realizar testes mais detalhados com o gado.

Para a professora Poliana Cardoso, o projeto vai além da nutrição animal. Ela enfatiza a importância de inserir os alunos na educação científica e empreendedora. Principalmente em um território complexo como o Velho Chico. A formação crítica e criativa capacita os jovens a resolver problemas reais da sua comunidade. Transformar conhecimento em inovação prática. É a ciência saindo dos laboratórios para enfrentar a seca e gerar impacto direto na economia local.

Bahia Faz Ciência: inovação nascida do território

A iniciativa dos estudantes de Igaporã dialoga com a série Bahia Faz Ciência, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado (Secti). Lançada em 8 de julho de 2019, a série divulga semanalmente trabalhos de pesquisadores baianos que melhoram a qualidade de vida da população. O projeto do suplemento de moringa é um exemplo concreto de como a ciência aplicada pode gerar respostas para desafios históricos do semiárido.

O caminho está traçado. Testes, aprimoramento da formulação, busca por parcerias. Enquanto a estiagem segue seu ciclo, a criatividade de dois estudantes e o apoio de seus professores apontam um novo rumo. A pergunta que fica é quantas outras soluções locais, simples e eficazes, estão esperando para ser descobertas nas salas de aula do interior da Bahia.

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Sobre o autor Lúcia L.F

Lúcia L.F. é co-fundadora e Diretora de Parcerias do BahiaBR.com. É uma empreendedora de mídia digital com mais de uma década de experiência, atuando em portais de notícias na Bahia desde 2011.