✦ Resumo

O STF condenou Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto por coação no processo, tornando-o inelegível por oito anos, por articulação de tarifaço dos EUA contra exportações brasileiras para evitar condenação do pai.

Eduardo Bolsonaro em coletiva
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta terça-feira (16) o ex-deputado Eduardo Bolsonaro a 4 anos e dois meses de prisão em regime semiaberto. A pena foi aplicada pelo crime de coação no curso do processo. Cabe recurso contra a decisão.

Além da prisão, Eduardo perdeu o cargo de escrivão da Polícia Federal e ficará inelegível por oito anos. O placar foi unânime: 4 votos a 0.

O que motivou a condenação de Eduardo Bolsonaro

Por unanimidade, o colegiado concordou com a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR). O entendimento é que há provas de que Eduardo articulou o tarifaço dos Estados Unidos contra as exportações brasileiras. O objetivo, segundo a Corte, era tentar evitar a condenação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo da trama golpista.

O subprocurador-geral da República Antônio Edilio Magalhães Teixeira leu a acusação. Ele afirmou que as ameaças foram concretizadas por três medidas: o tarifaço, a suspensão dos vistos de oito dos 11 ministros do STF e as sanções econômicas da Lei Magnitsky.

Defesa alega que Eduardo não teve poder de decisão

A defesa do ex-deputado foi feita pela Defensoria Pública da União (DPU). O defensor público federal Esdras dos Santos Carvalho argumentou que Eduardo não teve ingerência sobre as medidas de Donald Trump. “Eduardo não teve poder de decisão sobre a política externa do Brasil, não integra o governo norte-americano e não exerce função pública naquele país”, afirmou.

O fato é que Eduardo está nos Estados Unidos desde o ano passado e perdeu o mandato de deputado federal por faltar às sessões da Câmara. Na prática, ele não deve cumprir a pena enquanto estiver em solo americano. A notificação dificilmente será cumprida pelo governo de Trump, aliado político do ex-parlamentar.

Voto do relator e repercussão

O relator, ministro Alexandre de Moraes, votou pela condenação. Ele disse que Eduardo levou desinformação ao governo norte-americano e prejudicou o Brasil. Só que, segundo Moraes, as ações não impediram a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão. O voto foi seguido pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.

Eduardo não deve cumprir a pena enquanto estiver nos Estados Unidos, onde é aliado de Donald Trump. A situação, portanto, coloca em xeque a efetividade da sentença. Quem paga a conta é o morador, que vê mais um capítulo da novela judicial se arrastar sem desfecho prático.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.