O segundo viveiro de restinga de Salvador foi entregue nesta sexta-feira (18), no Jardim de Alah, e recebeu 515 mudas produzidas no primeiro viveiro do município, localizado na Praia do Flamengo. As plantas passarão por um período de adaptação no novo espaço antes de futuros plantios na Orla Atlântica da capital baiana.
O espaço mais antigo, na Praia do Flamengo, será responsável por abastecer o novo viveiro. O processo de adaptação é conhecido como rustificação e prepara as plantas para condições mais adversas do ambiente litorâneo, como a alta salinidade e a incidência de ventos.
O viveiro foi desenvolvido pela Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis), em parceria com a Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal). A estrutura integra as ações de recomposição da vegetação de restinga e de recuperação ambiental da orla da cidade.
Adaptação das mudas e acompanhamento técnico
De acordo com o titular da Secis, Ivan Euler, o novo viveiro tem como função preparar as mudas para as condições encontradas na faixa litorânea. Inicialmente, foram trazidas 515 mudas de quatro espécies.
“A expectativa é que elas passem seis meses aqui. É um projeto-piloto. Podem ocorrer algumas perdas, é normal; e depois desse período vamos entender se já podemos levá-las para a orla e começar a arborizar”, acrescentou Euler.
O acompanhamento das mudas será feito pela equipe que atua no viveiro de restinga da Praia do Flamengo, com visitas ao novo espaço ao longo da semana.
Segundo o presidente da Desal, Francisco Torreão, a estrutura no Jardim de Alah utiliza materiais como eucalipto de reflorestamento e madeira, de maneira adequada às características do espaço. Parte da cobertura, com sombrite, foi uma especificação da Secis para controlar a intensidade solar sobre as plantas.
Espécies e monitoramento na orla
A bióloga Maria do Carmo Barbosa, que atua no viveiro da Praia do Flamengo, explicou que o acompanhamento das espécies começa ainda na fase de sementes. Entre as espécies levadas para o novo viveiro está a Coccoloba uvifera, conhecida como uva-da-praia, considerada adequada para ambientes litorâneos por apresentar resistência à salinidade e aos ventos. O espaço recebeu também mudas de Sagres schyphlora, Guapira pernambucencis e Eugenia sp.
O diretor do Sistema de Áreas de Valor Ambiental e Cultural (Savam), João Resch, ressaltou que o período de adaptação também permitirá avaliar o desempenho das espécies antes da distribuição pelos diferentes trechos da orla, com monitoramento dos locais de maior salinidade.
Projeção de novo horto florestal
O secretário Ivan Euler adiantou que a Prefeitura projeta, para 2027, a implantação de um novo horto florestal voltado à produção de espécies destinadas às áreas interiores da cidade. A primeira unidade está prevista para o Parque Socioambiental de Canabrava, com foco na produção de mudas de espécies da Mata Atlântica.
Durante a inauguração, a vice-prefeita Ana Paula Matos enfatizou a importância da adaptação das espécies antes do plantio definitivo e pediu a colaboração da população para preservar as áreas arborizadas.
“Muitas pessoas têm vandalizado, têm quebrado as árvores. É importante para o nosso povo ter uma cidade mais arborizada, não só pela beleza, mas também para diminuir o calor. Então, esse tipo de projeto é importante para a resiliência da cidade”, afirmou a vice-prefeita.