Salvador reunia 1.607 estabelecimentos ligados à economia criativa em 2023, o equivalente a cerca de 35% das empresas do segmento em toda a Bahia. O setor também respondia por 115 mil postos de trabalho no município, ou 8% do total de empregos registrados na cidade no período analisado.
Os números constam do Mapeamento da Economia da Cultura e Indústrias Criativas de Salvador, apresentado nesta quarta-feira (23) pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), em parceria com a Fundação Itaú, na sede da pasta, no Comércio. O levantamento reúne indicadores sobre a dimensão econômica e social das atividades criativas na capital baiana e tem como objetivo subsidiar o planejamento e a formulação de políticas públicas para o segmento.
Um dos dados destacados pelo estudo é a participação de trabalhadores negros, que representam 75% dos profissionais envolvidos na economia criativa da cidade. O percentual é superior à média nacional observada, de 44%.
Entre os negócios mapeados, predominam micro e pequenas empresas formalizadas, segundo a diretora de Economia Criativa da Secult, Taíse Santos. Para ela, o levantamento permite dimensionar a contribuição do segmento para a economia da cidade e identificar caminhos para ampliar seu desenvolvimento.
“Entendemos que é preciso fortalecer essas empresas, que são capazes de criar produtos e serviços no setor, auxiliando, como poder público, para que consigam se manter de forma economicamente sustentável”, completou Taíse.
A diretora afirma ainda que os dados servem de base para avaliar o cenário da economia criativa de Salvador e orientar políticas públicas, permitindo mensurar o impacto social e econômico do setor, como a geração de empregos, o trabalho decente e o crescimento econômico.
Empreendedorismo negro e foco do Prodetur
Para a diretora de Negócios Afro da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda (Semdec), Maylla Pita, os resultados evidenciam a participação dos empreendedores negros na economia criativa e a importância do segmento para a geração de emprego e renda. Segundo ela, ao colocar uma lupa sobre esses negócios, percebe-se que eles concentram de forma efetiva um conjunto de empreendedores negros, e o mapeamento fortalece o caminho do empreendedor na cidade.
O titular da Secult, Alexandre Reis, afirmou que a consolidação das informações permite compreender melhor a dimensão e as características locais do setor. Ele citou como exemplo o Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), que entra em uma nova fase com atenção especial aos negócios liderados pela população negra. De acordo com o secretário, o foco será o afroempreendedorismo, que ele descreve como a grande mola propulsora da economia local.
Parceria com a Fundação Itaú
A gerente do Observatório Fundação Itaú, Carla Chiamarelli, ressaltou que a produção de informações qualificadas contribui para conectar as ações do poder público à realidade do setor. Segundo ela, os dados obtidos no mapeamento permitem que políticas públicas e ações sejam pensadas a partir de dados, da realidade e de um contexto, papel que a instituição assume para apoiar a criação de políticas públicas com foco no desenvolvimento socioeconômico e ambiental.
Carla afirmou ainda que a economia criativa apresenta potencial de expansão e pode assumir papel ainda maior no desenvolvimento da capital baiana. Na avaliação dela, o setor é promissor, vem crescendo e é importante para o Brasil, para a Bahia e para Salvador, cidade que, segundo a gerente, ainda tem muita margem para crescimento.
Em 2024, Salvador destinou o valor recorde de R$ 167 milhões à cultura e indústrias criativas.