O reajuste médio dos planos de saúde coletivos ficou em 9,9% nos dois primeiros meses de 2026. O índice é o menor dos últimos cinco anos, mas ainda mais que o dobro da inflação oficial do período, de 3,81%. Os dados foram divulgados na sexta-feira (8) pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
A última vez que os planos coletivos — contratados por empresas, associações de classe e empresários individuais — tiveram alta menor foi em 2021, com 6,43%. Naquele ano, a pandemia de covid-19 reduziu a procura por consultas e cirurgias eletivas, o que segurou os preços. Agora, o cenário é outro.
O percentual de 9,9% representa mais que o dobro do IPCA, que fechou fevereiro em 3,81%. O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) costuma criticar esses aumentos acima da inflação. Só que a ANS defende que a comparação direta não é correta. “O percentual considera as mudanças nos preços dos produtos e serviços em saúde, bem como as mudanças na frequência de utilização dos serviços”, explica a agência.
Reajuste varia conforme o porte do plano
Diferente dos planos individuais, onde a ANS define o reajuste, nos coletivos o valor é negociado entre a empresa contratante e a operadora. Resultado: quem paga a conta é o morador, mas sem regra única. Planos com 30 ou mais beneficiários tiveram alta média de 8,71%. Já os com até 29 clientes subiram 13,48%.
- Planos com 30+ vidas: reajuste de 8,71% (77% dos clientes)
- Planos com até 29 vidas: reajuste de 13,48%
Na prática, o tamanho do grupo faz diferença no bolso. E aqui mora o problema: para quem está em contratos menores, a conta pesa mais. A ANS consegue monitorar os reajustes porque, nos planos com menos de 30 vidas, o percentual é igual por operadora.
Setor registra lucro recorde
Os dados da ANS de março de 2026 mostram que o Brasil tem 53 milhões de vínculos a planos de saúde — alta de 906 mil em um ano. De cada 100 clientes, 84 estão em planos coletivos. Pra piorar, o setor de saúde suplementar teve receita total de R$ 391,6 bilhões em 2025, com lucro líquido de R$ 24,4 bilhões, o maior já registrado. Isso significa que para cada R$ 100 recebido, o setor obteve cerca de R$ 6,20 de lucro.
O Idec já apontou que aumentos acima da inflação penalizam o consumidor. A ficha caiu tarde para quem contratou planos coletivos nos últimos anos e viu o valor disparar. A ANS, porém, mantém a posição de que o cálculo é técnico e leva em conta custos específicos da saúde.