O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou variação de 0,07% em julho, o quarto mês consecutivo de desaceleração. Com isso, o acumulado no ano fica em 3,44%, dentro do intervalo da meta do Banco Central, e a taxa em 12 meses chega a 4,44%, abaixo do teto de 4,5%.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), via Agência Gov, em 11 de agosto de 2026. O resultado de julho representa uma desaceleração de 0,09 ponto percentual (p.p.) em relação ao índice de junho, que havia sido de 0,16%. Em julho de 2025, a variação foi de 0,26%.
Alimentação puxa queda com tomate quase 30% mais barato
O grupo Alimentação e bebidas caiu 0,67% no mês, com impacto de -0,14 p.p. no índice geral. O recuo foi puxado pela alimentação no domicílio, que teve queda de 1,14%. O tomate liderou as baixas, com redução de 29,09% no preço médio, o principal impacto negativo do mês (-0,10 p.p.). Também caíram a batata-inglesa (-19,59%), a cenoura (-14,41%) e o café moído (-2,45%).
No lado das altas dentro do grupo, o leite longa vida subiu 2,47% e as frutas, 1,20%. Já a alimentação fora do domicílio acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho, com o lanche passando de 0,13% para 0,76% e a refeição, de 0,15% para 0,42%.
Energia elétrica pressiona Habitação e compensa quedas em outros grupos
O grupo Habitação foi o que mais pressionou o índice em julho, com alta de 0,99%, ante 0,63% em junho. A energia elétrica residencial acelerou de 1,53% para 3,09%, exercendo o principal impacto individual no mês (0,13 p.p.). O resultado reflete reajustes tarifários em concessionárias de São Paulo (8,85%, a partir de 4 de julho), Porto Alegre (14,89%, desde 19 de junho) e Curitiba (19,55%, vigente desde 24 de junho).
Segue vigente em julho a bandeira tarifária amarela, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. A taxa de água e esgoto também subiu (0,40%), com reajustes em Salvador (3,57%), Porto Alegre (5,77%), Brasília (3,97%) e Rio Branco (6,00%). O gás encanado recuou 0,04%, por causa da redução média de 2,00% nas tarifas no Rio de Janeiro.
Os demais grupos tiveram as seguintes variações: Vestuário (-0,66%), Saúde e cuidados pessoais (0,40%) e Transportes (0,05%). Neste último, a alta de 11,67% nas passagens aéreas foi compensada pelo recuo de 1,44% nos combustíveis, com quedas em todos os itens: etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%).
Planos de saúde e índices regionais
No grupo Saúde e cuidados pessoais, os artigos de higiene pessoal subiram 0,64%, com destaque para o perfume (1,04%). O plano de saúde variou 0,42%, refletindo os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para contratos posteriores à Lei nº 9.656/98, o percentual é de até 5,11%, com vigência a partir de maio de 2026 e ciclo até abril de 2027. Para contratos anteriores à lei, os percentuais autorizados foram de 5,52% e 6,20%, a depender do plano.
Entre as regiões, a maior variação em julho foi em Rio Branco (0,32%), influenciada pela passagem aérea (12,27%) e pela energia elétrica residencial (2,66%). A menor foi em Belém (-0,45%), com recuos da gasolina (-3,42%) e do açaí (-14,24%).
INPC tem deflação de 0,01% em julho
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, variou -0,01% em julho, 0,15 p.p. abaixo de junho (0,14%). No ano, o INPC acumula alta de 3,50% e, em 12 meses, de 4,10%. Os produtos alimentícios passaram de -0,29% em junho para -0,74% em julho, enquanto os não alimentícios desaceleraram de 0,28% para 0,23%.
O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980 para famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos. A pesquisa abrange dez regiões metropolitanas e os municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília. Para o cálculo do índice de julho, foram comparados os preços coletados entre 1º e 30 de julho de 2026 com os vigentes entre 30 de maio e 30 de junho de 2026.