A Fundação Cidade Mãe (FCM), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), está ampliando o cadastro de famílias acolhedoras em Salvador. O objetivo é receber, de forma provisória, crianças e adolescentes em situação de risco afastados do convívio familiar por determinação da Justiça.
As famílias cadastradas recebem acompanhamento psicossocial da FCM antes, durante e após o período de acolhimento. “Hoje, temos uma necessidade de ampliar o número de famílias acolhedoras. A sociedade precisa entender que ela pode ser parte, fazer a diferença, marcar uma geração, mudar para sempre a vida de uma pessoa”, afirma a presidente da Fundação Cidade Mãe, Isabela Almeida.
Como funciona o acolhimento familiar
O Serviço Família Acolhedora está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Em Salvador, é regulamentado pela Lei Municipal nº 9.015/2016 e foi implantado pela Fundação Cidade Mãe. Desde sua implantação, o serviço já acolheu 52 crianças — a primeira delas em 2021.
Segundo a gestora, o acompanhamento às famílias acontece durante todas as etapas. “A Fundação Cidade Mãe acompanha a família acolhedora o tempo todo. Antes, durante e depois. As famílias recebem acompanhamento psicológico, inclusive para trabalhar a questão do vínculo”, acrescenta Isabela Almeida.
Em alguns estados, o serviço é executado por organizações do terceiro setor ou governos estaduais. Em Salvador, porém, é desenvolvido exclusivamente pela Prefeitura, por meio da FCM. As crianças são encaminhadas pela 1ª Vara da Infância e Juventude de Salvador, do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia.
Requisitos para participar
Para participar, é necessário:
- Ter mais de 21 anos
- Morar em Salvador há pelo menos dois anos
- Estar em boas condições de saúde física e mental
- Não possuir vínculo de parentesco com a criança ou adolescente em processo de acolhimento
- Contar com a adesão de todos os integrantes da família
- Apresentar RG, CPF, comprovantes de residência e de renda
Histórias de transformação
A dona de casa Marilene Santos, de 42 anos, está há cinco meses acolhendo o bebê EDS, de oito meses. “Eu costumo dizer que o serviço é uma doação, e não só a gente doa, eles também doam. Na verdade, a gente recebe mais do que doa, porque a palavra que define o serviço é ‘amor’”, conta. Marilene já acolheu quatro crianças e, para ela, que não tem filhos, a experiência tem sido transformadora.
O esposo de Marilene, Evandro Santana, de 49 anos, também relata o impacto. “São crianças que entram na nossa casa e mudam a nossa rotina. É muito lindo! Houve um bebê que nós acolhemos que me esperava no portão no horário em que eu chegava do trabalho. É algo que não tem preço.”
Isabela Almeida destaca o caso de um bebê encaminhado ao serviço com apenas 14 dias de vida. “A mãozinha dele era virada para trás e não ficava na posição normal. A família acolhedora teve todo o cuidado e uma atenção muito específica com ele. Com um mês, esse bebezinho estava com a mãozinha normal”, conclui.
Interessados podem se inscrever ou obter mais informações pelo e-mail familiaacolhedora.fcm@salvador.ba.gov.br ou pelos telefones (71) 3202-2428 e (71) 3202-2429.