Salvador e Lauro de Freitas integram a rede global do maior evento de criatividade do mundo nesta quinta-feira (21), data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Mundial da Criatividade e Inovação. Ruas, bibliotecas e centros comerciais se transformam em laboratórios de inovação com uma proposta concreta: provar que a criatividade é o primeiro passo para gerar renda e transformar realidades sociais. Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público.
O evento, conhecido como WCD (World Creativity Day), acontece simultaneamente em quase 50 cidades do Brasil e de outros países, como Portugal e Venezuela. Em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, o festival começou no dia 14 e segue até 24 de abril. A capital baiana concentra sua programação principal entre os dias 21 e 23 de abril.
Da celebração à ferramenta estratégica de transformação
Mais do que intervenções artísticas, o foco deste ano está na revolução criativa. A ideia é explorar como a criatividade deixa de ser vista apenas como um dom para se tornar uma ferramenta estratégica em educação, negócios e sociedade. Josenita Luz, diretora de cultura da Bahia e curadora do evento em Lauro de Freitas, destaca o alcance da iniciativa. “É um evento de extrema importância para despertar nos jovens, nos idosos, em todo o mundo o poder da criatividade”, afirma.
Na prática, o festival busca conectar a identidade cultural local com as demandas do futuro. Em Salvador, a curadoria de Thiago Bastos, gestor cultural e consultor em criatividade, aposta na ponte entre a ancestralidade da cidade e as novas tecnologias. A programação foi estruturada em quatro eixos principais: criatividade e arte, criatividade e mídia, criatividade e empreendedorismo e criatividade e educação.
Criatividade como motor para resolver gargalos históricos
Thiago Bastos explica que a proposta vai além da mera celebração festiva. O objetivo é usar a economia criativa como um motor para resolver problemas crônicos. “Salvador é conhecida, no primeiro olhar, como berço da criatividade, do carnaval, do axé, da música, da dança. Então, a gente busca não só celebrar a criatividade numa perspectiva festiva, mas trazer outro viés”, detalha o curador. A pergunta que move a programação é clara: como essa força criativa pode ser canalizada para superar desafios de empregabilidade e inovação urbana?
O fato é que a economia criativa ganha espaço como um setor econômico tangível. O evento coloca em evidência que ser criativo é, antes de tudo, uma estratégia para gerar renda e transformar realidades sociais. A proposta tira a criatividade do campo abstrato e a coloca no centro de soluções práticas para educação e negócios.
Resultado: uma agenda intensa que ocupa diferentes espaços das duas cidades. A rede global do WCD demonstra que a inovação não é um privilégio de grandes centros. Ela pulsa, também, nas ruas e no cotidiano da Bahia, mostrando que a revolução criativa já começou. E quem ganha com isso é a sociedade como um todo.