Um mês depois da instalação das boias de proteção no Porto da Barra, a Guarda Civil Municipal (GCM) não registrou invasões de embarcações no espaço protegido. A área de banho delimitada por boias amarelas, que se estende por 90 metros a partir da faixa de areia, restringe a circulação de embarcações motorizadas e já altera a rotina de banhistas, moradores e turistas na praia.
A iniciativa é da Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Especial do Mar (Semar), e integra um projeto-piloto aprovado pela Marinha do Brasil. O investimento foi de R$ 450 mil, incluindo a aquisição dos equipamentos, o transporte, a instalação e a sinalização.
O monitoramento da área ocorre 24 horas por dia, por meio de câmeras integradas ao trabalho da Capitania dos Portos, segundo o inspetor-geral da GCM, Marcelo Silva. Até o momento, não houve flagrantes de invasão da área restrita, mas foi registrada uma ocorrência envolvendo uma moto aquática.
A ocorrência que foi verificada aconteceu quando um condutor de moto aquática atracou sua embarcação em uma das boias. O fato foi registrado e encaminhado para a Capitania dos Portos
Marcelo Silva também anunciou reforço na fiscalização. Segundo ele, novas câmeras, com maior tecnologia, serão instaladas nos próximos dias para facilitar o trabalho no local.
Avaliação positiva e ressalvas entre frequentadores
A titular da Semar, Duda Lomanto, avaliou positivamente o primeiro mês da iniciativa e destacou a receptividade de moradores e turistas. De acordo com ela, a delimitação contribui para organizar a circulação de embarcações e reduzir os riscos de acidentes.
Frequentador do Porto da Barra, o operador de máquina Jairo Ferreira Lima, de 41 anos, morador de Marechal Rondon, aprovou a medida. Ele contou que já presenciou embarcações ocupando espaços utilizados pelos banhistas, inclusive quando estava acompanhado da filha.
A irmã dele, Jaira Ferreira Lima, também de 41 anos, considerou que a delimitação proporciona mais tranquilidade e defendeu o reforço da fiscalização. Para ela, em muitas praias a presença de embarcações prejudica os banhistas e chega a dificultar a entrada na água.
Visitando Salvador pela primeira vez, o turista italiano Emanuele Macinha, de 36 anos, também aprovou a iniciativa. Ele destacou a importância de respeitar os limites estabelecidos, tanto por parte das embarcações quanto dos banhistas que entram no mar.
Entre os comerciantes, a avaliação incluiu sugestões de melhorias. Proprietário da Barraca do Malhado há dez anos, Ueliton Júnior Barbosa, de 38 anos, reconheceu os benefícios para a segurança, mas acredita que o tamanho das boias interfere na paisagem.
Orientação e possibilidade de ampliação
Duda Lomanto ressaltou que, neste primeiro momento, a Prefeitura prioriza a orientação dos usuários do espaço marítimo. Em casos de descumprimento, a GCM aciona a Capitania dos Portos, responsável pelas providências cabíveis.
A secretária também informou que a experiência poderá servir de referência para intervenções em outras praias da capital. Segundo ela, a ampliação depende da avaliação dos resultados e das características de cada local, sempre com o objetivo de garantir uma convivência segura entre banhistas, pescadores e navegadores.