Em resumo

A Codesal iniciou um projeto-piloto para monitorar a erosão costeira em quatro praias da Barra, em Salvador. A ação combina imagens de satélite e levantamentos topográficos de alta precisão, com visitas de campo previstas para o segundo semestre deste ano e de 2027. Os equipamentos já foram adquiridos pela Prefeitura.

Codesal começa a medir erosão em quatro praias da Barra; campo vai até 2027
Foto: Ascom Codesal

Quatro praias da Barra passam a ter acompanhamento técnico da erosão costeira. A Defesa Civil de Salvador (Codesal), em parceria com a Prefeitura de Salvador, iniciou um projeto-piloto para monitorar as alterações na faixa de areia nesses trechos. Os equipamentos necessários para os levantamentos já foram adquiridos pela Prefeitura.

A iniciativa combina imagens de satélite e levantamentos topográficos de alta precisão. O objetivo é identificar mudanças na faixa de areia e produzir informações técnicas que auxiliem o planejamento e a conservação da orla.

Onde, quando e como será feito

As visitas de campo estão previstas para ocorrer ao longo do segundo semestre deste ano e de 2027. A previsão é realizar levantamentos periódicos, preferencialmente mensais, com campanhas adicionais após eventos climáticos extremos.

Os levantamentos utilizam a tecnologia GNSS RTK, sistema de posicionamento por satélite que, com correções em tempo real, permite obter coordenadas com precisão centimétrica. O recurso possibilita mapear o relevo das praias em detalhes e comparar as medições realizadas em diferentes períodos.

Os dados serão organizados em programas de Sistemas de Informação Geográfica (GIS), como o QGIS, e integrados a imagens de satélite e técnicas de reconstrução batimétrica. Isso amplia a análise da morfologia costeira, inclusive em áreas com afloramentos rochosos.

Por que esses trechos foram escolhidos

A escolha dos trechos considerou um estudo preliminar que identificou mudanças na linha de costa ao longo das últimas décadas. Também pesaram as características geomorfológicas das praias e a importância da região para o turismo, a dinâmica urbana e o uso público.

Nesta fase, a execução está sob responsabilidade da Codesal. O órgão também mantém contato frequente com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) para avaliar possibilidades de colaboração.

Quando saem os primeiros resultados

Os primeiros resultados poderão ser obtidos após as medições iniciais. No entanto, a formação de uma série histórica consistente exige pelo menos um ano de acompanhamento, período necessário para observar as variações sazonais e compreender melhor o comportamento das praias em diferentes épocas do ano.

As informações ainda estão em fase de coleta e análise, e a divulgação dos resultados será realizada posteriormente, sem data definida. Os dados poderão subsidiar medidas preventivas, orientar o planejamento urbano e ambiental e contribuir para a proteção da infraestrutura costeira.

A proposta é ampliar gradualmente o trabalho para outras praias da capital, conforme os resultados do projeto-piloto e o planejamento das próximas etapas.

Metodologia e leitura da dinâmica costeira

De acordo com Gabriel Pugliese, coordenador do Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil de Salvador (Cemadec) e oceanógrafo, a metodologia ajuda a compreender a dinâmica natural desses ambientes. Ele explica que as praias estão em constante transformação pela ação das ondas, das correntes e do transporte de sedimentos. Com medições precisas e comparações ao longo do tempo, é possível identificar melhor os trechos que apresentam sinais de erosão e entender como essas mudanças evoluem.

Larissa Rayanny, oceanógrafa da Codesal, destaca que o acompanhamento contínuo é o que permite enxergar os processos com clareza. Segundo ela, uma praia não se analisa com uma medição isolada, mas com o conjunto de informações coletadas ao longo dos meses, o que dará base técnica para orientar as decisões.

Mudanças climáticas e limites do projeto

O trabalho também considera os desafios associados às mudanças climáticas, como a elevação do nível do mar e possíveis alterações nas condições das ondas e na ocorrência de eventos extremos. O conhecimento sobre a evolução da linha de costa poderá ajudar a identificar áreas que demandem maior atenção, especialmente após ressacas.

A iniciativa não contempla, neste momento, intervenções físicas nas praias. A alimentação artificial, por exemplo, consiste na reposição de areia em trechos afetados pela erosão, mas sua adoção depende de estudos sobre a dinâmica dos sedimentos, a compatibilidade do material e os impactos ambientais. Também é necessário avaliar possíveis efeitos sobre as praias vizinhas.

Para o diretor-geral da Codesal, Adriano Silveira, a iniciativa fortalece o planejamento preventivo e amplia o conhecimento sobre as condições do litoral soteropolitano. Ele afirma que o trabalho permite garantir a segurança da população, a preservação da orla, a manutenção da frequência dos turistas e a preservação dos equipamentos públicos.

Silveira ressalta ainda que conhecer a realidade de cada trecho da orla é essencial para definir prioridades e planejar ações responsáveis. Segundo ele, o investimento em conhecimento técnico busca tornar Salvador uma cidade mais resiliente e preparada para enfrentar as mudanças climáticas e os desafios costeiros, mantendo as praias preservadas.

O que a população pode fazer

A participação da população soteropolitana também é considerada fundamental. Entre as recomendações estão evitar o descarte de resíduos nas praias, respeitar a vegetação de restinga e as áreas naturais costeiras e comunicar às autoridades situações como erosão acentuada ou danos em estruturas próximas ao mar.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.