Quatro praias da Barra passam a ter acompanhamento técnico da erosão costeira. A Defesa Civil de Salvador (Codesal), em parceria com a Prefeitura de Salvador, iniciou um projeto-piloto para monitorar as alterações na faixa de areia nesses trechos. Os equipamentos necessários para os levantamentos já foram adquiridos pela Prefeitura.
A iniciativa combina imagens de satélite e levantamentos topográficos de alta precisão. O objetivo é identificar mudanças na faixa de areia e produzir informações técnicas que auxiliem o planejamento e a conservação da orla.
Onde, quando e como será feito
As visitas de campo estão previstas para ocorrer ao longo do segundo semestre deste ano e de 2027. A previsão é realizar levantamentos periódicos, preferencialmente mensais, com campanhas adicionais após eventos climáticos extremos.
Os levantamentos utilizam a tecnologia GNSS RTK, sistema de posicionamento por satélite que, com correções em tempo real, permite obter coordenadas com precisão centimétrica. O recurso possibilita mapear o relevo das praias em detalhes e comparar as medições realizadas em diferentes períodos.
Os dados serão organizados em programas de Sistemas de Informação Geográfica (GIS), como o QGIS, e integrados a imagens de satélite e técnicas de reconstrução batimétrica. Isso amplia a análise da morfologia costeira, inclusive em áreas com afloramentos rochosos.
Por que esses trechos foram escolhidos
A escolha dos trechos considerou um estudo preliminar que identificou mudanças na linha de costa ao longo das últimas décadas. Também pesaram as características geomorfológicas das praias e a importância da região para o turismo, a dinâmica urbana e o uso público.
Nesta fase, a execução está sob responsabilidade da Codesal. O órgão também mantém contato frequente com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) para avaliar possibilidades de colaboração.
Quando saem os primeiros resultados
Os primeiros resultados poderão ser obtidos após as medições iniciais. No entanto, a formação de uma série histórica consistente exige pelo menos um ano de acompanhamento, período necessário para observar as variações sazonais e compreender melhor o comportamento das praias em diferentes épocas do ano.
As informações ainda estão em fase de coleta e análise, e a divulgação dos resultados será realizada posteriormente, sem data definida. Os dados poderão subsidiar medidas preventivas, orientar o planejamento urbano e ambiental e contribuir para a proteção da infraestrutura costeira.
A proposta é ampliar gradualmente o trabalho para outras praias da capital, conforme os resultados do projeto-piloto e o planejamento das próximas etapas.
Metodologia e leitura da dinâmica costeira
De acordo com Gabriel Pugliese, coordenador do Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil de Salvador (Cemadec) e oceanógrafo, a metodologia ajuda a compreender a dinâmica natural desses ambientes. Ele explica que as praias estão em constante transformação pela ação das ondas, das correntes e do transporte de sedimentos. Com medições precisas e comparações ao longo do tempo, é possível identificar melhor os trechos que apresentam sinais de erosão e entender como essas mudanças evoluem.
Larissa Rayanny, oceanógrafa da Codesal, destaca que o acompanhamento contínuo é o que permite enxergar os processos com clareza. Segundo ela, uma praia não se analisa com uma medição isolada, mas com o conjunto de informações coletadas ao longo dos meses, o que dará base técnica para orientar as decisões.
Mudanças climáticas e limites do projeto
O trabalho também considera os desafios associados às mudanças climáticas, como a elevação do nível do mar e possíveis alterações nas condições das ondas e na ocorrência de eventos extremos. O conhecimento sobre a evolução da linha de costa poderá ajudar a identificar áreas que demandem maior atenção, especialmente após ressacas.
A iniciativa não contempla, neste momento, intervenções físicas nas praias. A alimentação artificial, por exemplo, consiste na reposição de areia em trechos afetados pela erosão, mas sua adoção depende de estudos sobre a dinâmica dos sedimentos, a compatibilidade do material e os impactos ambientais. Também é necessário avaliar possíveis efeitos sobre as praias vizinhas.
Para o diretor-geral da Codesal, Adriano Silveira, a iniciativa fortalece o planejamento preventivo e amplia o conhecimento sobre as condições do litoral soteropolitano. Ele afirma que o trabalho permite garantir a segurança da população, a preservação da orla, a manutenção da frequência dos turistas e a preservação dos equipamentos públicos.
Silveira ressalta ainda que conhecer a realidade de cada trecho da orla é essencial para definir prioridades e planejar ações responsáveis. Segundo ele, o investimento em conhecimento técnico busca tornar Salvador uma cidade mais resiliente e preparada para enfrentar as mudanças climáticas e os desafios costeiros, mantendo as praias preservadas.
O que a população pode fazer
A participação da população soteropolitana também é considerada fundamental. Entre as recomendações estão evitar o descarte de resíduos nas praias, respeitar a vegetação de restinga e as áreas naturais costeiras e comunicar às autoridades situações como erosão acentuada ou danos em estruturas próximas ao mar.