Enquanto os tambores ainda se afinam e os altares são enfeitados, uma outra preparação, essencial e silenciosa, acontece nas ruas de Salvador. Antes do primeiro “viva!” à Santa Bárbara, que abriu o calendário nesta quinta (4), técnicos da Embasa já percorriam a Baixa dos Sapateiros e o Centro Histórico com uma missão clara: garantir que a festa flua tão bem quanto a água — e longe do esgoto.
A operação é de prevenção. Inspeção minuciosa das redes, reposição daquelas tampas de bueiro que sempre somem e uma limpeza geral nos coletores que cortam os trajetos dos festejos. Tudo para que a imensa massa de pessoas que toma as ladeiras e largos não tenha sua experiência interrompida por problemas sanitários.
Mas o olhar não está só no presente. Em paralelo, outra equipe faz o mesmo serviço no bairro do Comércio, palco daquela que é a festa religiosa mais antiga do Brasil: a celebração de Nossa Senhora da Conceição da Praia, que há 476 anos move o coração do povo baiano. E o trabalho se estende ainda aos pontos do Centro Histórico que vão receber a programação do Natal 2025 — planejamento de longo prazo que tenta escapar da miopia comum do poder público.
Plantão nos bastidores da fé
O superintendente Julio Gouvêa defende a lógica do trabalho preventivo. A estratégia, no entanto, não para na véspera. “Nossas equipes voltam a vistoriar os sistemas até a data de cada evento”, explica. O objetivo é assegurar que tudo funcione perfeitamente quando a cidade estiver em seu ritmo máximo.
— E se algo sair do planejado? Para isso, teremos equipes de plantão 24 horas durante todos os festejos — reforça Gouvêa, apontando para o protocolo de emergências.
A infraestrutura que ninguém vê, mas todos precisam
No fim, o que essa movimentação toda revela? Que por trás da magia das festas populares — da energia da fé, da música e da celebração coletiva — existe uma complexa engrenagem de serviços urbanos. Uma engrenagem que precisa funcionar.
A Embasa, nesse contexto, assume um papel invisível, mas fundamental. É ela quem, literalmente, evita que a estrutura da cidade entre em colapso sob o peso da própria alegria. Uma missão tão crucial quanto discreta: garantir que a única coisa a transbordar nas ruas históricas seja a devoção do povo.
