A Prefeitura de Salvador anunciou nesta quarta-feira (16) a criação dos parques municipais do Manguezal do Rio Passa Vaca, em Patamares, e o de Mussurunga. As duas áreas somadas alcançam mais de 320 mil metros quadrados, e o município investiu cerca de R$ 83 milhões nas desapropriações necessárias para transformar terrenos privados em áreas públicas destinadas à preservação ambiental.
Os detalhes foram divulgados pelo prefeito Bruno Reis e pelo secretário municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis), Ivan Euler.
Passa Vaca protege último mangue da orla
O Parque Municipal do Manguezal do Passa Vaca abrange a região próxima à foz do Rio Passa Vaca, que deságua na praia de Jaguaribe, formando uma área de manguezal considerada o último remanescente desse ecossistema na orla atlântica. O curso da água vem desde a região de São Rafael, cruzando a Avenida Paralela e o bairro de Patamares, e depois encontra-se com o Rio Jaguaribe, já próximo à faixa litorânea.
Para esse parque, foram destinados R$ 31 milhões em desapropriação, permitindo a proteção de aproximadamente 19 mil metros quadrados de manguezal. A preservação do local era discutida há cerca de 30 anos, foi objeto de estudos de universidades e de mobilização da sociedade civil e teve sua criação formalizada por decreto em 2009. Agora, a área passa a ser efetivamente protegida, recuperada e destinada também a atividades de educação ambiental.
“Este é o último mangue existente na orla da cidade. Já iniciamos a limpeza e a erradicação de algumas espécies invasoras e vamos começar, na próxima segunda-feira, todo o cercamento para preservar esse espaço para as gerações presentes e futuras”, afirmou o prefeito.
A Prefeitura pretende implantar no local o primeiro Centro de Referência do Manguezal de Salvador (CRMS), em parceria com a Fundação Vovó do Mangue. A proposta é criar um espaço dedicado à pesquisa, inovação tecnológica e monitoramento.
Mussurunga terá área de aproximadamente 304 mil metros quadrados
Já em Mussurunga, a Prefeitura desapropriou uma área de 106 mil metros quadrados, investindo mais R$ 52 milhões, além de incorporar um terreno que já pertencia ao município, totalizando aproximadamente 304 mil metros quadrados para o novo parque. O local fica entre três avenidas: Aliomar Baleeiro, 29 de Março e Luana Beatriz Fontenelle, nas proximidades do Alphaville II, São Cristóvão e Fazenda Grande IV.
De acordo com o prefeito, a meta é ampliar os investimentos para que Salvador ganhe mais três áreas verdes até 2028. Além de Mussurunga e do Passa Vaca, estão previstos os projetos dos parques de Ipitanga, do Socioambiental de Canabrava e do Vale da Mata Escura.
Secretário cita efeitos climáticos e PDDU de 2016
O titular da Secis, Ivan Euler, explicou que o PDDU de 2016 foi um marco nesse processo, ao delimitar dezenas de espaços integrantes do Sistema de Áreas de Valor Ambiental e Cultural (Savam). Segundo ele, os parques contribuem para reduzir os efeitos das ilhas de calor, aumentar a absorção da água da chuva e favorecer a biodiversidade.