Mais 400 vagas serão ofertadas pelo programa Salvador Social Clube em 2026, elevando para 1,1 mil o número de jovens atendidos. A iniciativa usa incentivos fiscais para abrir portas de clubes privados.
A cena no Yacht Clue da Bahia, na Barra, tinha mais do que a formalidade de uma assinatura de documento. Respirava um certo otimismo. A renovação do acordo do Salvador Social Clube nesta quinta-feira (4) veio acompanhada de um anúncio concreto: um aumento de 57% nas vagas para 2026. O programa, que hoje atende cerca de 700 alunos da rede municipal, vai saltar para 1,1 mil beneficiados.
A premissa é direta: usar o esporte como ferramenta de inclusão social. Em troca da oferta de vagas gratuitas — que inclui transporte, uniforme e lanche —, os clubes parceiros recebem isenção de tributos municipais. Uma política pública que tenta criar uma ponte entre realidades distintas.
“Muitos filhos de pessoas que vivem em comunidades carentes passaram a praticar modalidades que antes eram impensáveis, como a vela”, destacou o prefeito Bruno Reis, durante a solenidade. A fala aponta para o cerne do projeto: democratizar o acesso. A lista de atividades oferecidas nos 11 clubes parceiros vai do futebol e judô à natação, vela e tênis — esportes tradicionalmente com maior barreira de entrada financeira.
Mas o jogo vai além da quadra. Para o secretário de Promoção Social, Júnior Magalhães, o programa é um “modelo eficiente de política pública integrada”. Já o secretário da Educação, Thiago Dantas, vê o impacto no currículo e no vínculo dos estudantes com a escola. A meta é envolver mais unidades de ensino no próximo ano.
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Os números impressionam, mas são as histórias pequenas que dão a verdadeira medida do projeto. Mães presentes à cerimônia no Yacht Clube falaram das transformações silenciosas.
Daniela Rosa, manicure, viu a saúde do filho, Ângelo Gabriel, de 13 anos, melhorar radicalmente. “Ele tinha muito cansaço e vivia indo ao hospital por problemas respiratórios. Depois da natação, isso praticamente sumiu”, contou. Já Lílian dos Santos, cabeleireira, observou mudanças no comportamento do filho Guilherme, também de 13 anos, que é deficiente. “A natação reduziu a ansiedade dele. Ele não se socializava e agora está mais confiante”, disse.
São relatos que ecoam a visão do comodoro do clube, Ricardo Dantas. Para ele, o Salvador Social Clube transcende a iniciação esportiva. “É um processo de convivência e troca. Aprendemos tanto quanto os alunos”, afirmou. A instituição forma sua segunda turma, com 72 jovens aprendendo vela, natação e canoagem.
A expansão das vagas é um passo claro. Resta saber se o salto de 57% virá acompanhado da infraestrutura e do cuidado necessários para que essas histórias de transformação não sejam exceção, mas regra. O esporte abre portas, mas é a consistência da política pública que vai mantê-las abertas.
