O verão chegou com força, e com ele, a operação de segurança nas praias ganha músculos novos. O Governo do Estado entrega um pacote de equipamentos de resgate aquático, num investimento de R$ 36,9 milhões, para tentar reduzir o tempo entre o desespero e o socorro.
O calor já está aí, e a Bahia se prepara para receber os turistas de peito aberto e braços fortes. Neste sábado (13), enquanto a Barra fervilhava, os bombeiros fizeram mais do que uma demonstração rotineira na praia. Apresentaram a nova linha de frente para evitar tragédias: motos aquáticas, kits de resgate rápido e uma frota renovada que promete chegar mais depressa onde o perigo espreita.
Aposta em Concreto (e em Motos D’Água)
A Operação Verão 2025/2026 é um quebra-cabeça complexo. De um lado, o fluxo intenso de gente buscando o mar. De outro, o aumento inevitável dos riscos. A resposta imediata do governo, coordenada pela SSP, veio em forma de máquinas: 30 embarcações, 37 motores de popa, mais de 300 coletes e dois mil conjuntos impermeáveis.
A entrega não é só sobre gastar — é sobre tentar comprar tempo. “Reduzem o tempo de resposta até a chegada à vítima”, explica o tenente Emerson Patrício, do CBMBA. Mas ele faz a ressalva que todo baiano atento conhece: equipamento sozinho não é milagre. O planejamento diário e as ações preventivas continuam sendo o verdadeiro alicerce.
O Alívio à Beira-Mar
Enquanto as motos aquáticas cortavam a água na demonstração, o sentimento na areia era de aprovação. Manuela Melo, turista de Brasília, capturou o espírito da coisa: “Torna o lazer mais seguro… traz mais tranquilidade”. É a percepção de que se algo der errado, o socorro não virá a pé.
Lorena Paiva, estudante local, vai além e toca no ponto crucial: a maré. Quem conhece a Bahia sabe que o mar não brinca. “Bons equipamentos aliados à preparação são fundamentais”, disse ela. É o binômio perfeito: tecnologia de ponta nas mãos de quem sabe ler as nuances das correntezas baianas.
A Lição Que Vem Antes do Tombo
Por mais imponentes que sejam os novos recursos, a fala final do tenente Patrício ecoa como o conselho mais valioso — e barato. Ele volta ao básico, ao que sempre dependeu da consciência de cada um: “Obedecer às sinalizações, respeitar as orientações dos salva-vidas e ter atenção às condições do mar”.
O investimento milionário é um escudo necessário. Mas o verdadeiro salva-vidas, aquele que evita que o pior aconteça, ainda está no ouvido atento e no respeito aos limites — do próprio corpo e do mar baiano, que é lindo, mas nunca ingênuo.
Só que a pergunta que fica, vendo todo esse aparato desfilar na orla, é outra: será que, no fim das contas, a maior tecnologia para um verão seguro não é, simplesmente, o bom senso?
