Política estadual ganha projeção internacional em fórum sobre justiça e cuidados
O Programa Elas à Frente, do Governo da Bahia, foi apresentado em Nova Iorque. A exposição ocorreu durante a 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher da ONU. A iniciativa baiana integrou o Fórum Global-Regional sobre Justiça dos Cuidados, organizado pelo Consórcio Nordeste e parceiros.
Estrutura estadual e territorialização são pontos centrais
Lourivania Soares, coordenadora-executiva da Secretaria das Mulheres (SPM), representou o estado no evento. Ela detalhou a estrutura do programa. O Elas à Frente prevê a execução de políticas para mulheres em todas as secretarias estaduais, como Saúde, Educação e Trabalho. Soares enfatizou a dimensão territorial da ação. “A Bahia tem dimensões continentais”, afirmou. A gestão, segundo ela, é executada a partir dos 27 Territórios de Identidade.
A coordenadora citou a inclusão do programa no Plano Plurianual (PPA 2024-2027) como um marco. Esse posicionamento demonstra a priorização da agenda. Conforme o relato enviado ao portal, a Bahia já desenvolve ações concretas alinhadas a uma futura Política Estadual de Cuidados. O Projeto Cuidar de Quem Cuida foi apresentado como exemplo. A ação oferece serviços gratuitos de bem-estar para trabalhadoras como catadoras de recicláveis e ambulantes durante grandes eventos.
Reconhecimento do trabalho invisibilizado é urgente
Lourivania Soares classificou a pauta como urgente. A visibilidade do trabalho de mulheres que sustentam a vida cotidiana, muitas vezes sem reconhecimento ou proteção social, é um objetivo central. Ela destacou o perfil das principais afetadas. A maioria das mulheres negras no Brasil, conforme a análise apresentada, são as principais responsáveis por cuidados remunerados e não-remunerados.
O fórum internacional serviu como plataforma para troca de evidências e diagnósticos. A programação debateu como sistemas integrais de cuidados podem remover barreiras estruturais. Essas barreiras limitam o acesso efetivo à justiça para mulheres e meninas. A experiência baiana foi compartilhada no contexto de busca por caminhos de governança territorial e cooperação subnacional.
