Em uma operação batizada de Anjo da Guarda, a Polícia Federal cumpriu um mandado em Teixeira de Freitas e prendeu um homem em flagrante. A ação visa combater a violência sexual contra menores praticada e facilitada pela internet.
A Polícia Federal (PF) agiu rápido nesta terça-feira (9) no extremo sul da Bahia. A operação Anjo da Guarda cumpriu um mandado de busca e apreensão em uma casa em Teixeira de Freitas — o objetivo era coletar computadores e celulares para perícia. O que os agentes encontraram, porém, transformou a diligência em prisão em flagrante.
No meio da ação, ficou claro que o alvo não era apenas um suspeito. Ele mantinha um acervo de imagens de violência sexual contra crianças e adolescentes. Não houve tempo para delongas: o homem foi algemado no ato e levado para a delegacia. A prisão é a ponta de um iceberg investigativo que a PF vem mapeando, focado no aliciamento online e na troca de materiais de abuso.
E aqui vale um parêntese necessário. Embora a lei ainda use o termo “pornografia infantil”, a comunidade que combate esses crimes prefere — e com toda a razão — chamar pelo nome que realmente é: abuso sexual infantojuvenil. A mudança de linguagem não é mero preciosismo. Ela tira o véu de um suposto “conteúdo” e escancara a violência real por trás de cada imagem. Coloca a vítima no centro, não o suposto “produto”.
Mas uma operação, por mais eficaz, é sempre reativa. O cerne da proteção está em outro lugar. A PF reforça o alerta aos pais e responsáveis: a vigilância ativa e o diálogo aberto são escudos indispensáveis. O perigo mora tanto no beco escuro quanto na tela iluminada do celular no quarto.
Observar mudanças de comportamento, ensinar sobre os riscos nas redes e, acima de tudo, criar um porto seguro para que a criança ou adolescente peça ajuda — essa é a verdadeira linha de frente. A prisão de hoje em Teixeira de Freitas é uma resposta à brutalidade. A prevenção, no entanto, é um trabalho diário e silencioso, que começa dentro de casa.
