A Polícia Civil da Bahia, por meio da Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon), deflagrou a Operação Skincare nesta sexta-feira (8) em Salvador e na Região Metropolitana. O alvo são seis clínicas de estética que ofereciam bronzeamento artificial com máquinas proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O equipamento é apontado como fator de risco direto para o desenvolvimento de câncer de pele.
Os mandados judiciais cumpridos pelas equipes da Decon miram estabelecimentos que, segundo a investigação, expunham clientes a riscos graves. O inquérito aponta que o uso das câmaras de bronzeamento pode causar lesões corporais e comprometer a saúde da pele. A prática é ilegal no Brasil desde 2009, quando a Anvisa proibiu a importação e o uso de equipamentos para bronzeamento artificial com fins estéticos.
Bronzeamento artificial proibido há anos
O fato é que a proibição não é novidade. A Anvisa já classificou as máquinas como cancerígenas. Só que, na prática, algumas clínicas continuaram operando na clandestinidade. O flagrante da Decon expõe um mercado paralelo que coloca a estética acima da saúde.
A Operação Skincare também investiga a suposta prática de publicidade enganosa. “Há promessas de resultados que não são alcançados ou a venda de um serviço com garantia de segurança que não existe”, afirma a investigação. Quem paga a conta é o morador, que muitas vezes desconhece os riscos reais do procedimento.
Resultado: a ficha caiu tarde para quem já se submeteu ao tratamento. O bronzeamento artificial com câmaras UV aumenta em até 75% o risco de melanoma, o tipo mais letal de câncer de pele. A operação agora apura quantas pessoas foram expostas ao perigo.
Parceria com vigilâncias sanitárias
A ação conta com a participação de servidores das Vigilâncias Sanitárias das Prefeituras de Salvador e Lauro de Freitas, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (SEDUR) e da Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor da Bahia (PROCON). A integração entre os órgãos visa garantir o fechamento definitivo dos estabelecimentos e a responsabilização criminal dos envolvidos.
Na prática, o consumidor que busca o bronzeamento artificial em Salvador precisa redobrar a atenção. Qualquer clínica que ofereça o serviço com equipamentos está operando à margem da lei. A recomendação da Anvisa e das autoridades de saúde é clara: não há nível seguro de exposição a essas máquinas.
O risco de câncer de pele não justifica o bronzeamento artificial — e a Operação Skincare veio para mostrar que a lei, enfim, pegou.
O que diz a investigação
- Seis clínicas de estética são alvo de mandados judiciais em Salvador e Região Metropolitana.
- Os estabelecimentos usavam máquinas de bronzeamento artificial proibidas pela Anvisa.
- O inquérito investiga lesão corporal, publicidade enganosa e exposição ao risco de câncer de pele.
- A operação conta com apoio das Vigilâncias Sanitárias de Salvador e Lauro de Freitas, SEDUR e PROCON.
E aqui mora o problema: mesmo com a proibição nacional, o bronzeamento artificial ainda encontra espaço em clínicas que apostam no desconhecimento do público. A Operação Skincare é um alerta para quem ainda acredita que o risco compensa o resultado estético. A Decon segue com as investigações para identificar possíveis novas unidades ilegais.