Mais de 15 milhões de brasileiros ficarão fora da malha fina do Leão a partir de janeiro. A medida, que beneficia a classe média baixa, é compensada por um aumento de imposto para os super-ricos.
A partir de janeiro de 2026, o trabalhador que recebe até dois salários mínimos e meio poderá respirar mais aliviado na hora do contracheque. O presidente Lula sanciona nesta quarta-feira (26) a lei que eleva para R$ 5.000,00 a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física.
A mudança — uma das bandeiras do governo — tira da cobrança do IR cerca de 15 milhões de brasileiros. Atualmente, quem ganha mais de R$ 3.076,00 já precisa pagar. A nova regra não é só um alívio para os mais pobres, mas um sopro de esperança para a classe média que sente no bolso o peso de cada real.
E para quem ganha um pouco mais?
A lei também estabelece uma tabela regressiva de descontos para as rendas entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00. A lógica é simples: quanto menor o salário, maior o abatimento. Quem ultrapassa essa barreira, no entanto, segue na tabela tradicional — sem benefícios.
Mas de onde virá o dinheiro?
A perda de arrecadação tem um destino certo: os bolsos mais abastados. Para compensar o rombo, a lei cria uma alíquota extra progressiva de até 10% para quem aufere rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil — ou R$ 50 mil por mês. A medida também tributa em 10% os lucros e dividendos enviados ao exterior.
O projeto, que tramitou no Congresso desde março e só foi aprovado em outubro, é um jogo de soma zero. O alívio de um lado é financiado pelo aperto no outro. O Planalto aposta que o consumo aquecido pela massa de isentos compensará, em parte, a medida.
Agora, a pergunta que fica é se essa reforma, embora bem-vinda, chega atrasada para uma população que há anos espera por uma simplificação real do sistema tributário. Enquanto isso, para milhões, o ano começa com um reajuste silencioso, porém significativo, no orçamento doméstico.