Seiscentos jovens de Salvador começaram nesta sexta-feira (11) uma jornada de 17 meses de formação profissional pelo Projeto Jovem Aprendiz Empreendedor. A iniciativa é desenvolvida pelo Parque Social em parceria com a Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Gestão (Semge).
A abertura oficial do ciclo 2026-2028 ocorreu na Área Verde do Parque da Cidade, no Itaigara, e reuniu participantes, familiares e autoridades. Os selecionados saíram de um universo de cerca de 2,4 mil inscritos.
A formação começa pela etapa teórica e, depois, os jovens terão experiência prática em secretarias e outros órgãos da administração municipal. O objetivo é prepará-los para atuar como auxiliares de escritório e aproximá-los da rotina do serviço público.
Como funciona a formação
A nova turma é formada por estudantes de escolas públicas, com idades entre 14 e 21 anos, e as aulas acontecem no contraturno escolar. Segundo o secretário municipal de Gestão, Alexandre Tinoco, os participantes passam inicialmente por uma etapa de formação teórica no Parque Social e, após dois meses, seguem para as secretarias e demais órgãos municipais.
Tinoco destacou que a frequência escolar é condição para permanecer no programa. Ele afirmou que o projeto funciona como porta de entrada para os jovens e citou o impacto sobre as famílias.
É uma porta de entrada para esses jovens, impactando 600 pessoas e 600 famílias, para que possam, a partir daí, desenvolver e construir sua vida profissional
A diretora-geral do Parque Social, Sandra Paranhos, explicou que a seleção contou com análise documental, entrevista técnica, avaliação cognitiva e participação de psicólogos e assistentes sociais. Segundo ela, os 600 aprendizes vão receber formação que os habilita a trabalhar como auxiliares de escritório, além da formação prática nas secretarias do município.
O projeto também prevê ações transversais, incluindo visitas a espaços culturais de Salvador, com o objetivo de ampliar a formação dos participantes.
Habilidades além da técnica
Para a secretária de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude, Fernanda Lordelo, a proposta vai além da preparação técnica para o mercado de trabalho. Segundo ela, o programa busca desenvolver habilidades profissionais, relações interpessoais, networking e também estimular o empreendedorismo.
A vice-prefeita Ana Paula Matos comentou a importância de os participantes levarem para os órgãos públicos as experiências e os problemas observados nas próprias comunidades. Para a gestora, os jovens podem contribuir para a construção de políticas públicas justamente por conhecerem de perto a realidade dos bairros onde vivem.
Durante a cerimônia, o prefeito Bruno Reis relembrou o próprio início da trajetória profissional e afirmou que a primeira oportunidade pode ser decisiva para ajudar os jovens a descobrirem qual caminho querem seguir. Ele contou que começou como estagiário na Câmara de Vereadores e que, ao assumir responsabilidades e conquistar a confiança das pessoas no ambiente de trabalho, passou a receber novas oportunidades.
Segundo o prefeito, a experiência proporcionada pelo programa pode ajudar os jovens a identificar com quais áreas se identificam e quais caminhos pretendem seguir profissionalmente.
Materiais e expectativas dos participantes
Ao final da cerimônia, os participantes receberam materiais para a formação, incluindo mochila, caderno, farda e tablet.
Aos 16 anos, Gabriel Santos, morador do Nordeste de Amaralina, vê no Jovem Aprendiz a primeira oportunidade de conhecer de perto uma rotina profissional. Ainda em dúvida sobre qual carreira seguir, ele espera aproveitar os 17 meses de formação para ganhar experiência antes de entrar no mercado de trabalho.
Aos 15 anos, Larissa Oliveira, moradora do Rio Sena, chegou ao projeto interessada tanto em desenvolver conhecimentos profissionais quanto em entender melhor os caminhos do empreendedorismo.