✦ Resumo

Governo federal usa patrimônio público para regularizar terras e destinar imóveis a comunidades tradicionais e cultura afro-brasileira.

pessoas segurando faixas em cima de uma ponte de madeira
Foto: Agência Gov

No Dia da Consciência Negra, políticas territoriais ganham destaque como ferramenta de reparação. Ações da SPU já beneficiaram centenas de famílias com regularização fundiária e apoio a cultura afro-brasileira.

A reparação de uma dívida histórica se mede em metros quadrados de terra e em espaço cultural conquistado. Neste 20 de novembro, enquanto o Brasil reflete sobre Zumbi e a consciência negra, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) apresenta números concretos de uma política que vai além do discurso: usar o patrimônio público para garantir direitos territoriais e valorizar identidades tradicionalmente negadas.

O caminho passa por instrumentos como o Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS). Só em 2025, foram 14 TAUS individuais e oito coletivos — uma proteção legal que alcança mais de 350 famílias e cerca de 273 milhões de m² de áreas. São quilombolas, ribeirinhos e caiçaras que, finalmente, veem seu modo de vida e sua cultura ganharem segurança jurídica.

“Essas entregas materializam o compromisso com a permanência territorial”, explica a secretária Carolina Stuchi. Mas a pergunta que fica é: a burocracia do Estado consegue acompanhar a urgência dessas comunidades?

Do chão ao museu: patrimônio vira instrumento de cultura

A reparação não é só sobre a terra, mas sobre a memória. Desde 2023, mais de dez imóveis da União foram destinados a projetos de matriz afro-brasileira. A política pública chega onde o Estado muitas vezes faltou: em espaços de hip-hop, capoeira e museus comunitários.

Em Salvador, no Quilombo do Cabula, uma área pública será a primeira Universidade Hip-Hop da América Latina. A iniciativa transforma a cultura de rua em ferramenta de conhecimento e emancipação para a juventude. Um movimento que reconhece — finalmente — que a periferia não é um problema, mas uma fonte de saber.

Casos que mostram o caminho

O Quilombo Vidal Martins, em Florianópolis, é um retrato do que funciona. Vinte e seis famílias descendentes de Vidal Martins, homem negro escravizado no século XIX, receberam um TAUS coletivo. O documento garante o uso comunitário de um território ocupado há mais de 100 anos. Laços históricos preservados, autonomia produtiva reforçada.

Já em Alcântara (MA), a SPU publicou uma portaria para regularizar áreas de comunidades quilombolas historicamente impactadas pelo Centro de Lançamento de Alcântara. Um acordo complexo entre governo e judiciário que tenta conciliar, de uma vez por todas, desenvolvimento tecnológico e justiça social.

A estratégia do governo, portanto, é clara: usar a máquina pública para devolver não apenas a terra, mas a dignidade. O desafio, agora, é fazer com que essas iniciatiais não virem casos isolados de sucesso, mas a regra de uma nova relação entre o Estado e seus povos tradicionais.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.