A 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho (FliPelô) vai reunir, entre os dias 5 e 9 de agosto, uma programação gratuita que coloca as pessoas com deficiência no centro da produção cultural. A iniciativa é da Prefeitura de Salvador, por meio da Diretoria de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência (DPCD), vinculada à Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre).
Durante os cinco dias de evento, no Centro Histórico de Salvador, a diretoria vai promover exibição de documentário, oficinas, rodas de conversa, apresentações de dança, música, teatro e literatura acessível. A proposta é reforçar a importância da inclusão e da acessibilidade nos espaços culturais, com atividades que valorizam a produção artística de pessoas com deficiência.
Protagonismo além da plateia
Para a diretora da DPCD, Daiane Pina, a participação desse público na FliPelô vai além do papel de espectador. Segundo ela, o evento mostra que as pessoas com deficiência também são protagonistas da produção cultural.
“As pessoas com deficiência podem ser artistas, produzir arte e também consumir cultura. Elas estarão presentes em toda a feira literária, tanto como público quanto como protagonistas das atividades. É importante que a sociedade compreenda que as pessoas com deficiência produzem arte das mais diversas formas”, afirma.
Oficinas, roda de conversa e documentário
A programação começa no dia 5 de agosto com a roda de conversa “Maternidade Atípica: Construindo Pontes, Vencendo Barreiras”, mediada por Daiane Pina. O encontro vai discutir os desafios enfrentados pelas famílias atípicas, além de promover a troca de experiências e o fortalecimento da rede de apoio.
No dia 6 de agosto, um dos destaques é a exibição do documentário “Mães Atípicas”, dirigido pelo cineasta Matheus Rocha, cadeirante e defensor da acessibilidade no audiovisual. O filme apresenta histórias de mulheres atendidas pelo programa Empreender com Elas, desenvolvido há três anos pela Prefeitura de Salvador, por meio da Sempre. A iniciativa já beneficiou mais de 526 mães atípicas, promovendo autonomia financeira e fortalecimento do empreendedorismo.
Ainda no dia 6, será realizada a oficina de dança “Memórias em Movimento de uma Dança Surda”, que propõe uma vivência artística baseada na cultura e na identidade da comunidade surda. Já no dia 7 de agosto, Amanda Soares ministrará a oficina Literatura Def, voltada à produção literária e artística de pessoas com deficiência, com acessibilidade em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
A programação também contará com apresentações culturais de jovens atendidos pela Associação de Pais e Amigos do Autista (AMA), que realizarão uma exposição fotográfica e apresentações musicais ao longo do evento.
Geração de renda na Feira da Sé
Além das atividades culturais, a FliPelô também será espaço para geração de renda. Mães atendidas pelo programa Empreender com Elas participarão da Feira da Sé, onde comercializarão produtos produzidos por elas. A iniciativa fortalece o empreendedorismo feminino, amplia a visibilidade dos pequenos negócios e contribui para a autonomia financeira das participantes.
A 10ª edição da FliPelô será realizada entre os dias 5 e 9 de agosto, com programação gratuita distribuída por ruas, largos e equipamentos culturais do Centro Histórico de Salvador. Neste ano, o festival homenageia a escritora, jornalista e poeta Myriam Fraga, uma das idealizadoras da festa literária.