Cerca de 800 pessoas participaram das Escutas Territoriais do Projeto Parceiros da Mata, realizadas entre os dias 20 e 23 de outubro nos municípios de Ipiaú, Itabuna, Gandu e Amargosa. Os encontros reuniram mulheres e jovens de comunidades rurais para compartilhar experiências, apresentar demandas e propor ações voltadas ao desenvolvimento rural sustentável.
As atividades ocorreram nos Territórios de Identidade Médio Rio das Contas, Litoral Sul, Baixo Sul e Vale do Jiquiriçá, com média de 200 participantes por município. O projeto é uma iniciativa do Governo do Estado da Bahia, executada pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), com cofinanciamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).
Participação feminina e sucessão rural entre os temas
As escutas com as mulheres contaram com a participação de beneficiárias dos Planos de Desenvolvimento Comunitário Sustentável (PDCS) e dos Planos de Negócio (PNs). Entre os assuntos debatidos estiveram a ampliação da presença feminina nos espaços de representação, o acesso à formação e o fortalecimento da comercialização da produção.
Segundo a coordenadora do projeto, Cida Oliva, os encontros são fundamentais para aproximar as ações das necessidades das comunidades. A participação das mulheres e das juventudes, de acordo com ela, permite reunir experiências, identificar desafios e construir propostas que contribuam para o planejamento das atividades e o fortalecimento das iniciativas locais.
Jovens rurais debatem futuro no campo
A programação também abriu espaço para que jovens rurais compartilhassem suas perspectivas sobre o futuro no campo, os desafios enfrentados e as oportunidades para permanecer em seus territórios. A escuta buscou valorizar o protagonismo juvenil e ampliar o diálogo sobre as políticas públicas necessárias para garantir oportunidades às novas gerações no meio rural.
Participante da escuta das juventudes rurais, Emilly Assunção destacou a importância da organização coletiva para a construção de perspectivas de futuro. “Participar desse momento de escuta do Parceiros da Mata me fez perceber a importância da organização coletiva, a necessidade de estarmos alinhados enquanto juventude, entender as nossas perspectivas e o que a gente pensa para nosso futuro em nossos territórios e como a gente vai buscar essas políticas públicas”.
Sol Tupinambá, liderança indígena e participante de uma das escutas, também ressaltou a importância do espaço para apresentar as demandas das comunidades e contribuir para a formulação de políticas públicas. Ela afirmou que as participantes levaram suas ideias e relataram necessidades reais, apresentando o que já existe hoje e o que esperam das políticas públicas para o futuro em seu território.
Contribuições serão incorporadas ao planejamento
As contribuições reunidas nos quatro encontros serão sistematizadas e incorporadas aos processos de planejamento e implementação das ações do Projeto Parceiros da Mata. De acordo com a iniciativa, o objetivo é fortalecer a construção participativa de ações conectadas às necessidades e às perspectivas das comunidades rurais.
A iniciativa tem como propósito fortalecer a participação social e contribuir para a construção de políticas públicas e ações alinhadas às realidades locais, com foco na geração de renda, na autonomia das mulheres e na sucessão rural.