A formação de profissionais para atuar na conservação e restauração de imóveis históricos é a proposta da Escola de Ofícios Tradicionais de Salvador, instalada na Casa das Sete Mortes, na Rua do Passo, no Pelourinho. A iniciativa da Prefeitura de Salvador oferece cursos gratuitos e busca associar a preservação do patrimônio à geração de oportunidades de trabalho e renda.
A primeira turma já foi selecionada e, atualmente, participa do curso de pintura tradicional com pigmentos naturais, iniciado em setembro e com aulas até 17 de dezembro. As inscrições para essa formação já foram encerradas.
A capacitação é destinada a pessoas a partir dos 18 anos, alfabetizadas, e não exige experiência anterior. A prioridade é para moradores do Centro Histórico, mas pessoas de outras regiões também podem participar.
Ampliação de cursos e novas turmas
A proposta é ampliar gradualmente as formações, com possibilidades de cursos de alvenaria, argamassas, carpintaria e ferraria. Segundo a coordenadora Beatriz Ulloa, a intenção é manter diferentes capacitações funcionando simultaneamente.
“Queremos formar mão de obra qualificada para lidar com as demandas de restauração desses casarões”, afirmou.
A previsão é que novas capacitações sejam abertas conforme a ampliação das atividades da Escola de Ofícios Tradicionais.
Demanda do setor e transmissão de técnicas tradicionais
A presidente da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), Tânia Scofield, destacou a importância da formação de mão de obra especializada. Segundo ela, a Escola tem o propósito de capacitar profissionais para a construção civil, com conhecimento em técnicas tradicionais aplicadas ao restauro de imóveis de valor histórico e arquitetônico, e ao mesmo tempo contribui para inserir no mercado profissionais qualificados nessas técnicas, atendendo a uma demanda existente no setor.
Professora da escola, a conservadora de bens culturais Luana Santos explicou que conhecimentos tradicionais utilizados na construção civil deixaram, ao longo do tempo, de ser transmitidos com a mesma frequência. Segundo ela, são aprendizados geralmente ensinados de pai para filho ou em canteiros de obras, de forma mais informal e menos institucionalizada, e a escola surge para garantir a existência desse ofício.
A arquiteta e professora Letícia Grappi ressaltou que a capacitação também ajuda na compreensão das particularidades dos imóveis antigos. Na avaliação da especialista, uma escola como essa e cursos de pintura e de outros ofícios vão ajudar a própria sociedade a saber como lidar com esse tipo de construção.
Quem busca a formação
A possibilidade de trabalhar com restauro levou Josemar Amorim, de 56 anos, que atua há 12 anos na construção civil, a procurar o curso. Ele contou que ficou muito interessado ao ver a palavra restauração, porque é uma área complicada e nunca tinha encontrado essa oportunidade. Ele pretende seguir no segmento após a formação, principalmente em trabalhos externos e com madeira.
Já Rosy da Conceição, de 72 anos, técnica em restauração de bens móveis e patrimoniais há mais de cinco anos, buscou o curso para ampliar seus conhecimentos. Segundo ela, quem trabalha com restauro está sempre aprendendo técnicas novas, e é importante que o profissional que queira se qualificar busque e entenda esse mercado e como ele funciona.