Em resumo

A terceira fase do Desenrola Brasil autoriza a União a comprar carteiras de dívidas inadimplidas em leilão e repassar o desconto obtido ao devedor. Dívidas de água, luz e energia somam 20% do estoque elegível. O programa pode alcançar 15 milhões de pessoas, com desconto mínimo de 90%.

Desenrola 3.0: dívidas de água e luz somam 20% do total elegível a leilão da União
© Paulo Pinto/Agência Brasil

As dívidas de serviços de água, luz e energia representam 20% do total do estoque de créditos inadimplidos registrados no país. O dado foi apresentado durante o ato de assinatura da medida provisória que cria o Desenrola Brasil 3.0, terceira fase do programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (25).

A principal mudança em relação às etapas anteriores é que a União poderá comprar, em leilão, carteiras de dívidas não pagas e repassar integralmente ao devedor o desconto obtido na operação. O desconto mínimo previsto é de 90%. Isso significa que, se uma carteira for arrematada com esse percentual de deságio, o mesmo abatimento chegará ao CPF do devedor.

Quem pode ser alcançado e quanto está em jogo

Poderão ser adquiridas, em leilão, carteiras de dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, considerando o valor original, com inadimplência superior a 720 dias e inferior a 1.645 dias, o equivalente a aproximadamente dois a quatro anos e meio. A expectativa do governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis para compra pela União.

Considerando a adesão parcial de credores e devedores, a estimativa é que R$ 75 bilhões sejam efetivamente renegociados. O programa poderá beneficiar até 15 milhões de pessoas. O saldo poderá ser quitado à vista ou parcelado, com acréscimo de juros, em condições que ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional.

Como funcionará a disputa entre credores

Os credores interessados participarão de leilões, que poderão ser realizados em lotes e separados conforme a natureza das dívidas, bancárias ou não bancárias. As propostas serão classificadas pelo maior desconto oferecido. O credor deverá entregar a totalidade dos créditos elegíveis de cada devedor, sem possibilidade de selecionar apenas parte das dívidas.

A operação poderá contar com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios dos quais a União participe como cotista.

Calendário até o repasse do desconto

O cronograma previsto é o seguinte: em setembro de 2026, publicação da MP, texto final que altera a Lei nº 14.690/2023; em novembro de 2026, publicação do chamamento para entrega de propostas; em dezembro de 2026, entrega de propostas pelos credores; em janeiro de 2027, homologação das propostas selecionadas; e, em fevereiro de 2027, assinatura de contratos e início do repasse do deságio aos devedores, com quitação à vista ou parcelamento.

Dimensão da inadimplência no país

Dados do Tesouro Nacional mostram que, em agosto deste ano, o estoque de dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, com até cinco anos de atraso, chegava a R$ 592 bilhões. Eram 83,9 milhões de pessoas negativadas, com média de quatro dívidas por pessoa e valor médio de R$ 7 mil em dívidas por pessoa.

Do estoque, cerca de 55% correspondem a dívidas não bancárias, como contas de água, luz, telefonia e débitos no varejo. As dívidas de serviços de água, luz e energia representam 20% do total, segundo os dados apresentados durante o ato de assinatura da medida provisória.

Histórico das fases anteriores

A terceira fase dá continuidade às duas etapas anteriores do programa, que, segundo o governo, já alcançaram 25 milhões de pessoas. Na primeira fase, foram mais de 8 milhões de operações de renegociação, com R$ 53 bilhões em dívidas renegociadas e 15 milhões de pessoas e famílias atendidas. A segunda fase registrou mais de 5,5 milhões de operações, R$ 22 bilhões em dívidas renegociadas e 10 milhões de pessoas e famílias atendidas.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.