✦ Resumo

Estudo alerta que uso indiscriminado de corticoides pode causar glaucoma e cegueira, com 18% dos pacientes que usaram o medicamento por mais de seis meses desenvolvendo a doença e 4% perdendo a visão de forma irreversível.

Olho de uma mulher
Foto de Amanda Dalbjörn na Unsplash

O uso indiscriminado de corticoides, especialmente sem acompanhamento médico, pode levar a danos irreversíveis na visão, incluindo glaucoma e cegueira. O alerta é de um estudo recente que acendeu o sinal vermelho para quem recorre a esses medicamentos por conta própria. O perigo mora na facilidade de acesso: muitas pessoas compram corticoides em farmácias sem receita ou seguem indicações de amigos, ignorando os riscos para os olhos.

Como os corticoides afetam a visão?

Os corticoides atuam aumentando a pressão intraocular, um dos principais fatores para o desenvolvimento do glaucoma. A pressão elevada comprime o nervo óptico, que é responsável por enviar as imagens ao cérebro. Resultado: se não tratado, o dano é progressivo e pode levar à perda total da visão. O fato é que muitos pacientes só percebem o problema quando a doença já está avançada.

O que diz a pesquisa?

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), analisou dados de mais de 1.500 pacientes que usaram corticoides por diferentes períodos. Entre os que usaram o medicamento por mais de seis meses, 18% desenvolveram glaucoma, e 4% perderam a visão de forma irreversível. O levantamento também mostrou que o risco é maior em pessoas com histórico familiar de glaucoma e em idosos.

Quem está mais vulnerável?

Alguns grupos merecem atenção redobrada. A pesquisa identificou que pessoas com diabetes, hipertensão arterial e miopia elevada têm maior propensão a sofrer os efeitos colaterais dos corticoides na visão. Na prática, quem já tem algum fator de risco precisa de acompanhamento oftalmológico antes e durante o tratamento. A ficha caiu tarde para muitos pacientes que só buscaram ajuda depois de sentir os primeiros sintomas.

  • Pessoas com diabetes: maior risco de glaucoma secundário
  • Idosos: sistema de drenagem ocular mais frágil
  • Histórico familiar de glaucoma: predisposição genética
  • Usuários de corticoides por mais de 6 meses: tempo elevado de exposição

Sintomas que não podem ser ignorados

O glaucoma induzido por corticoides geralmente não apresenta sintomas nas fases iniciais. Quando a visão começa a ficar embaçada, a pessoa enxerga halos ao redor de luzes ou sente dor ocular, o dano já pode estar instalado. Quem paga a conta é o morador que, sem saber, compromete a saúde dos olhos em busca de alívio rápido para alergias, inflamações ou dores articulares.

Como evitar o problema?

A orientação dos especialistas é clara: corticoides só devem ser usados com prescrição médica e por períodos curtos, sempre que possível. Exames oftalmológicos regulares, incluindo a medição da pressão intraocular, são fundamentais para quem precisa usar esses medicamentos por tempo prolongado. Traduzindo: o remédio que resolve um problema pode criar outro muito maior se não houver controle.

O estudo da Unifesp e da FMUSP reforça a necessidade de campanhas de conscientização sobre os riscos do uso indiscriminado de corticoides. Para os médicos, a recomendação é avaliar o custo-benefício de cada prescrição, especialmente em pacientes com fatores de risco. Afinal, a visão é um bem que não tem preço — e que, uma vez perdido, não volta mais.

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Sobre o autor Lúcia L.F

Lúcia L.F. é co-fundadora e Diretora de Parcerias do BahiaBR.com. É uma empreendedora de mídia digital com mais de uma década de experiência, atuando em portais de notícias na Bahia desde 2011.